Edit Template

Faleceu Álvaro Laborinho Lúcio antigo Ministro da República para os Açores

O juiz conselheiro jubilado Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio morreu esta Quinta-feira, 23 de outubro de 2025, aos 83 anos. A Presidência da República confirmou a notícia e evocou “uma figura cimeira no domínio da Justiça”, sublinhando a sua passagem pelo Governo e o serviço público prestado ao País.
Nascido em 1 de Dezembro de 1941, Laborinho Lúcio teve uma carreira longa e diversa: dirigiu o Centro de Estudos Judiciários (CEJ) entre 1981 e 1990; integrou o XI e o XII Governos Constitucionais como Ministro da Justiça (a partir de 5 de Março de 1990, até ao termo do ciclo governativo de 1995); foi eleito deputado pelo círculo de Leiria na VII Legislatura; e terminou a carreira como juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), já na condição de jubilado. Estes marcos constam de biografias e registos institucionais do Parlamento e do próprio CEJ.

O período açoriano

Em 20 de Março de 2003, por decreto do Presidente da República Jorge Sampaio (sob proposta do Governo), Laborinho Lúcio foi nomeado Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores , cargo então previsto na Constituição para representação do Estado na Região.
Exerceu funções até Março de 2006, quando a revisão constitucional que extinguiu a figura do “Ministro da República” deu lugar ao “Representante da República”; nessa sequência, foi nomeado o juiz conselheiro José António Mesquita como primeiro Representante da República para os Açores.
No desempenho dessas funções nos Açores, coube-lhe promulgar e mandar publicar diplomas estruturantes da governação regional, em áreas como educação, cultura e planeamento.
Entre outros actos, assinou a publicação do Estatuto do Pessoal Não Docente do Sistema Educativo Regional (Decreto Legislativo Regional n.º 11/2006/A, assinado em 7 de março de 2006), aprovou a orgânica da Direcção Regional da Cultura (Decreto Regulamentar Regional n.º 3/2006/A, de 10 de janeiro de 2006) e mandou publicar o Plano Anual de 2005 — documento-quadro da programação regional desse ano.
Ao cessar funções, o então recém-empossado Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, deixou publicamente “reconhecimento” pelo exercício do cargo nos “últimos três anos” nos Açores, sinalizando a transição institucional de 2003 a 2006.
Figura de referência cívica e académica, com intervenção persistente nas áreas dos direitos humanos e, em particular, dos direitos das crianças, Laborinho Lúcio deixa obra publicada, magistério no Centro de Estudos Judiciários e um legado político-institucional que passou pelo Ministério da Justiça, pela Assembleia da República e pela representação do Estado na Região Autónoma dos Açores.

Presidente do Governo
dos Açores manifesta pesar pelo
falecimento de Laborinho Lúcio

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, em nome do Governo dos Açores, manifestou o seu profundo pesar pelo falecimento de Álvaro Laborinho Lúcio, jurista, magistrado, professor e antigo Ministro da Justiça.
“Figura de raro equilíbrio entre o saber e a humanidade, Álvaro Laborinho Lúcio dedicou a sua vida à justiça, à educação e à valorização da cidadania, causas que sempre entendeu como pilares essenciais de uma sociedade livre e democrática. A sua visão do Direito, centrada nas pessoas e na dignidade humana, marcou gerações e continua a inspirar quem acredita que o conhecimento e a ética podem transformar o país.
Entre 2003 e 2006, exerceu o cargo de Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores, função que desempenhou com elevado sentido institucional e com um profundo respeito pelas instâncias de governo próprio. Nos Açores, deixou o exemplo de um homem de diálogo, atento às pessoas e às realidades de cada ilha, amigo da Autonomia e da cidadania açoriana, que sempre valorizou como expressão viva da democracia.
De trato afável, de espírito culto e inteligência serena, Álvaro Laborinho Lúcio foi um amigo dos Açores e um açoriano de coração. Recordá-lo é celebrar um humanista que acreditava no poder da palavra, na força da justiça e no valor da participação cívica como instrumentos de progresso coletivo.
O Governo dos Açores associa-se à dor da família, dos amigos e de todos quantos, em Portugal e nos Açores, lamentam a perda de uma personalidade distinta, cuja memória permanecerá como exemplo de integridade, sabedoria e compromisso com o bem comum”, refere a Presidência do Governo dos Açores.

Presidente da ALRAA
manifesta pesar pelo falecimento
de Laborinho Lúcio

O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Álvaro Laborinho Lúcio, antigo Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores.
Figura de grande prestígio nacional, “Álvaro Laborinho Lúcio distinguiu-se pela sua vasta carreira ao serviço da Justiça, da Cultura e da causa pública, sendo reconhecido pelo seu humanismo, pela lucidez intelectual e pela integridade com que sempre exerceu funções”, sublinhou o Presidente Luís Garcia.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, no seu percurso profissional destacou-se nos mais diversos domínios do sistema de justiça: foi Procurador da República junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspetor do Ministério Público, Procurador-Geral-Adjunto, e diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários — cargos em que se mostrou incansável na defesa do Estado de Direito e na formação de quadros jurídicos.
No exercício de funções governativas, foi Secretário de Estado da Administração Judiciária e Ministro da Justiça em 1990, tendo, entre 1990 e 1996, acumulado funções públicas que incluíram também o mandato de deputado à Assembleia da República.
Entre 2003 e 2006, desempenhou o cargo de Ministro da República para os Açores, numa fase em que assumiu a representação do Estado com profundo respeito pelas autonomias regionais e com reconhecida sensibilidade às especificidades da Região.
Para além da sua carreira jurídica e política, Laborinho Lúcio foi uma presença ativa na vida cívica e cultural: presidiu à Assembleia Municipal da Nazaré, integrou comissões de carácter social e jurídico — mais recentemente compondo a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa — e participou em associações de apoio às vítimas e ao desenvolvimento social.

Edit Template
Notícias Recentes
Director-geral da Autoridade Marítima aponta Açores como ponto-chave nas rotas atlânticas
Santa Clara convoca accionistas para decidir transformação de suprimentos em prestações assessórias de capital
Detido suspeito do crime de posse de arma proibida no concelho da Ribeira Grande
Ordem dos Enfermeiros defende vigilância da gravidez de baixo risco assegurada por enfermeiros especialistas
Lagoa apresenta plano municipal para a infância e assinala Dia Internacional do Brincar com seminário dedicado à aprendizagem
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Diário dos Açores