Considerando os múltiplos domínios científicos, explicitados no “Ciência Vitae”, – Plataforma de Registo Científico -, as minhas áreas e Domínios de Atuação são: “Ciências Sociais – Ciências da Educação” e “Humanidades – Filosofia, Ética e Religião – Teologia”, (com naturais conexões, interdisciplinares, designadamente com o Domínio de atuação em Comunicação e “Comunicação Social – Jornalismo”, na/no qual colaboro, com iniciativas autorais, há mais de trinta e cinco anos, sem nunca levar nem um centavo nem um cêntimo.)
Em jeito de Introdução.
Impõe-se-me, logo, à Consciência, tematizar a Figura de José Enes, ele mesmo uma Instituição e uma Entidade, no sentido hermenêutico do termo. É do Ser e dos entes que se trata. Importa pensar, no caso, a realidade filosófica, histórica e institucional, e outras dimensões, à Luz do Filósofo que visava – e visa – “cientificar” a realidade para melhor a explicar, compreender e fazer desenvolver. Assoma, pois, a Figura do Filósofo, do Professor, do Magno Reitor que tudo pensou, de modo meticuloso, sem cedências à mediocridade e à maldade, dando Testemunho e Exemplo dos Valores Maiores. Foi Grande, Magno, como Reitor porque era uma Pessoa Muito Bem Formada, Reto e Correto, respeitador dos seus pares, além disso levou para o Cargo a sua Sabedoria e Sapiência, que não se improvisa. Figuras como o Professor Doutor José Enes e o Professor Doutor Gustavo de Fraga eram únicas, e a eles temos de Regressar se queremos pensar a Fundo o que é uma Universidade. Quem verdadeiramente tem Grandeza reconhece-o e se não reconhece o Tempo e a História fazem falar na Verdade do Ser. Ambos foram meus Professores, os únicos dois Geniais Professores, também profundamente Humildes e Honestos. São Lições vivas e Legados para todos os Tempos.
Impõe-se-nos, pois, no caso presente, aceder a aspetos e dimensões da Figura e do Pensamento de José Enes. E nessa textura e intertextualidade discursivas, à luz da Ontologia e da Hermenêutica, iremos abordar conceitos e realidades como seja o Ser e o Conhecer, em Verdade e Universidade. Neste labor filosófico revela-se-nos, em evidência ontofenomenológica, e em discursividade, a Educação, a Linguagem, a Pessoa-Humanidade e as Relações Internacionais, na correlação dos conceitos e realidades. No Pensamento e na Escrita de José Enes há uma valoração da interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Em José Enes há um Núcleo de «Onto-ética» que dá inteligibilidade e sentido à Indagação para um Colóquio (Palavra), entre os dois extremos da vida humana, o Nascimento e a Morte, na Transcendência para a Religião, para Deus.
Referir, em correlação de entrada, o que José Enes diz no livro À Porta do Ser sobre o seu o objeto de investigação e o que diz logo no início de Noeticidade e Ontologia. No Prefácio de À Porta do Ser, afirma José Enes: “Este livro, apresentando-se embora numa sujeição interpretativa, é uma obra de pensamento pessoal. Nele se pensa aquilo que há de mais pessoal a pensar – o ser; e nele se pensa a partir do que há de mais pessoal para a elaboração do próprio pensar – a experiência de cada um e a língua em que ela expressa na colaboração de todos quanto a falam” (Enes, 1969, p. 5). Há aqui uma exploração temática que, de imediato, nos maravilha ao falar no elemento pessoal – Uma das Razões para no título eu ter enunciado, José Enes: Pensamento, Ser e Conhecer, em Verdade e Universidade: Educação, Linguagem, Pessoa-Humanidade e Relações Internacionais. Quem conheceu de perto José Enes e estudou – e estuda – a sua Obra, Invocar a Figura de José Enes é trazer à consciência uma Figura que é, ele mesmo, uma Instituição. José Enes, a Pessoa, o Homem, o Professor, o Filósofo, o Magno Primeiro Reitor na Primeira Pessoa, presente no texto “José Enes e a Fundação da Universidade dos Açores. A História na Primeira Pessoa”, (Publicado no Jornal Correio dos Açores – 25 anos (domingo, 7 de janeiro de 2001), p. 293, no Livro Universidade dos Açores. Ideia Fundadora e Implementação (2016).
No texto intitulado “Estudo de Ordenação Estatutária para a Universidade dos Açores” (Ponta Delgada, 24 de janeiro de 1989) , p. 253, afirma José Enes no “Estudo de Ordenação Estatutária para a Universidade dos Açores”: “O presente estudo procura a compreensão dos problemas de ordenação dos Açores. Fazê-lo foi o cumprimento de um dever inerente à condição de fundador e primeiro reitor da mesma”. Não se trata do Culto da Personalidade – Porque Humilde sempre foi José Enes – trata-se da Grandiosa Personalidade, da Genialidade de um Gigante do Pensamento, de um Profundo Humanista, que assim entendia a essência do Caráter de uma Universidade; só quem é Sapiente e Humilde conquista respeito, que não se impõe. É dos Evangelhos que não se pode esconder uma Cidade construída sobre uma Montanha. Ou se é ou não se é, quem não é vive triturado para se impor e nunca consegue, é da natureza das coisas, como aprendemos com José Enes. Do Alto Mostra-se a Montanha e a Cidade. Não fosse para José Enes a Montanha do Pico a Montanha do seu Destino, Esse Belo Poema, Musicado pelo Professor Emílio Porto. Eu, na altura, tendo sido Aluno e Monitor/Assistente, transmiti ao Professor Doutor Gustavo de Fraga e ao Professor Doutor José Enes –que foram muito incisivos comigo para que eu, logo a seguir à Licenciatura, em História e Filosofia (via ensino), prosseguisse a Carreira na Universidade dos Açores). Mas não me demoveram (naquela altura!) e fui cumprir na Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico a minha vontade de me efetivar em Filosofia no Ensino Secundário, onde aliás também lecionei, no ensino diurno e noturno, nos 10º, 11º e 12º anos. Mas estava escrito no Desígnio da minha Vida – Quem destina o nosso Destino?– que em novembro de 1992 ingressaria, também através de Concurso Público, na Universidade dos Açores. Cumpria-se, afinal, a Vontade dos Meus Maiores e Geniais Mestres, Professor Doutor Gustavo de Fraga e Professor Doutor José Enes (ambos, aliás, ainda eu era Estudante do 3º ano do Curso, de 5 anos, queriam que eu fosse seu, Monitor deles. De facto, as aulas de Ontologia e Filosofia do Conhecimento fascinavam-me, além de constituírem Disciplinas Centrais e Nucleares no Conjunto da Filosofia e com implicações para múltiplas disciplinas, ou unidades curriculares, isto na ótica de quem sabe porque quem não sabe só estraga e destrói, mas nunca atinge o Cerne da Inteligência, do Bem e da Verdade. A Verdade e o Bem prevalecem, sempre, como afirmam os Grandes Filósofos, Teólogos e Papas, como a Humanidade tem constatado, na Pessoa de cada um, como filhos e filhas de Deus. O Professor José Enes era, na Raiz, um Filósofo Católico e quero relevar esta realidade por ser cada vez mais necessário evidenciar nesta época sem princípios, neste Tempo que precisa de Regressar ao Ser, aos Princípios e aos Valores fundamentais para estruturar e desenvolver a Educação e os Sistemas Educativos, mesmo em laicidade, ou talvez por isso mesmo, como aprofundou o Grande Filósofo Leonardo Coimbra na própriaI República em Portugal, revelador do seu Estatuto Intelectual e Caráter.
Não há não comunicação. Quem comunica, em Verdade, comunica Ser. Na verdade, quem não fala e não escreve em obediência às palavras leva à degenerescência do ser e do próprio homem, das instituições, do ser humano, no seu humano ser. Neste primeiro quarto do século XXI, estamos perante esta responsabilidade dramática, o “esquecimento do Ser”, Grave Drama que esteve na origem da Grande Guerra e da II Guerra Mundial, provocadas por psicopatas totalitários. As Guerras locais e globais são provocadas por psicopatas que não se sabem ao Valor do Ser, a Dignidade inviolável da Pessoa Humana, por isto as Humanidades deviam, têm de voltar a ser humanas. O Grave Esquecimento do Ser – diria, o desprezo e trituração do Ser, sobre o qual se ocupou Figuras de várias áreas, entre as quais, na Filosofia, como Heidegger e Husserl. É preciso regressar ao Ser e ao seu Futuro. Por isso estamos numa Sociedade, em Sociedades, onde se está a espalharo medo, o ódio e a mentira. Na distorção de figuras totalitárias, há, até, a tentativa da “legitimação da mentira”, mas a Verdade Há-de Prevalecer Sempre.
(Continua)
Observação: Texto elaborado, e revisto, tendo como referência a Comunicação apresentada no dia 10 de 0utubro de 2024, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, no Colóquio “José Enes: Centenário do Nascimento”.
O texto foi publicado, originalmente, neste mês de outubro, na Revista Nova Águia, pp: 170-176. As referências bibliográficas serão publicadas no Teto III.
Emanuel Oliveira Medeiros*
Professor Universitário
Universidade dos Açores
*Doutorado e Agregado em Educação, Especialidade de Filosofia da Educação
Centro de Estudos Humanísticos da Universidade dos Açores
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas