No seguimento de uma reunião realizada na quarta-feira com o consórcio Newtour/MS Aviation, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) diz que merece ser saudada “uma abertura de diálogo” por parte do candidato à privatização da Azores Airlines.
No entanto, sublinha o sindicato dos pilotos em comunicado, persiste como dificuldade estrutural determinante o acesso a dados operacionais da empresa que são classificados como “confidenciais”.
No referido encontro, o SPAC expressou a sua total disponibilidade para colaborar com Newtour/MS Aviation e com a SATA Holding, de modo a construir soluções de futuro para a Azores Airlines, “com todo o respeito e cuidado pela defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e da Região Autónoma dos Açores”.
“Foi um primeiro passo sólido; houve abertura, disponibilidade e respeito mútuo. É exactamente este o ambiente que queremos para encontrar soluções», afirmou o vice-presidente do SPAC, Frederico Saraiva de Almeida, citado no comunicado.
Ao contrário do cenário entendido como positivo no diálogo com o consórcio, o SPAC continua a acusar a administração da SATA Holding de bloquear o acesso a informação essencial, nomeadamente o número de pilotos acionados em dias de férias ou folga, os custos globais dessas activações e o custo agregado dos pilotos em funções de formação, treino e verificação.
O SPAC contesta que tais dados, relativos à gestão corrente da empresa, estejam à guarda de uma classificação de “confidencialidade” que impede uma negociação informada.
«Negociar sem números é negociar às cegas. Os Representantes dos trabalhadores também estão vinculados ao sigilo — não pedimos segredos industriais; pedimos contabilidade de gestão», reforçou Frederico Saraiva de Almeida. «Opacidade prolongada apenas fragiliza a Empresa e o processo. A forma séria de avançar é simples: desclassificar e disponibilizar os dados essenciais», sublinhou o vice-presidente do SPAC.
No mesmo comunicado, o sindicato alerta que “esta falta de transparência pode comprometer o próprio processo de privatização da Azores Airlines, cujo prazo definido pela Comissão Europeia decorre até ao final de 2025, sob pena de encerramento da companhia, como tem vindo a ser admitido publicamente. É importante alertar que a persistência de zonas de sombra pode ser mais ampla do que se queira admitir e, no limite, servir a narrativa de que seria menos gravoso para alguns deixar a Empresa encerrar, levando consigo eventuais vestígios de má gestão e opções políticas pretéritas, do que privatizar sob escrutínio”.
«Não é nosso papel alimentar teorias, mas é inegável que a opacidade serve quem teme o escrutínio. O que defendemos é transparência e responsabilidade partilhada, para que se possa discutir o futuro da Azores Airlines de forma séria e informada», concluiu Frederico Saraiva de Almeida.
Foto©SPAC
