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“Levar o caso (Madre Teresa D´Anunciada) até Roma é um dever da Diocese ”, diz Cónego Manuel Carlos Alves

O reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, considera que a apresentação do Processo de Beatificação da Madre Teresa D´Anunciada em Roma é “um dever da Igreja” e um sinal de esperança para os fiéis que há séculos veneram a “Freira do Santo Cristo”, notícia o site Igreja Açores.
A Diocese de Angra deu um passo decisivo neste processo com a nomeação, esta segunda-feira, da Comissão Histórica responsável por reunir e validar os documentos que poderão conduzir à sua causa em Roma.
O processo, que tem sofrido avanços e recuos e nunca foi verdadeiramente instruído, e que se poderia dizer começou logo após a morte da religiosa clarissa, no século XVIII, procura agora ser completado com maior rigor e objectividade, de forma a permitir um juízo sólido sobre a santidade de Madre Teresa.
“Importa que o trabalho desta Comissão Histórica seja realizado com maior rigor e objectividade, para que enviado para Roma se possa fazer um juízo capaz acerca da santidade desta mulher”, afirma o reitor, sublinhando que “não há limites de tempo, porque o essencial é que seja a verdade a vir ao de cima e a ser reconhecida pela Igreja”.
“Se me perguntar se gostava que o trabalho fosse concluído na próxima semana com certeza, mas não irei pressionar seja o que for, porque aquilo que nos importa, acima de tudo, é a verdade para que seja a verdade a vir ao de cima e a ser reconhecida pela Igreja”, afirma o cónego Manuel Carlos Alves.
Nascida para a vida religiosa no seio da clausura do Convento de Nossa Senhora da Esperança, Madre Teresa da Anunciada dedicou a sua vida à imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, promovendo o culto e a devoção que perduram até hoje.
“Ela é uma mulher heróica, nesta sua dedicação à imagem do Senhor Santo Cristo”, destaca o reitor, lembrando que enfrentou “muita oposição, mesmo dentro do convento e das autoridades franciscanas”.
Com coragem e profunda vida espiritual, Teresa da Anunciada percebia a importância de mostrar a imagem do Ecce Homo, levando-a ao encontro do povo como instrumento de evangelização e conversão. “Ela tinha a noção de que as pessoas necessitavam de ver o Salvador para beneficiar dessa mesma salvação”, acrescenta o Reitor.
A Comissão Histórica agora nomeada terá como missão reunir, analisar e validar toda a documentação existente sobre a vida, virtudes e fama de santidade da religiosa.
O reitor sublinha que o processo está “quase todo feito”, restando agora “juntar todas as peças” e aguardar os pronunciamentos finais das autoridades canónicas.
“Nem tudo depende de mim. Muito vai depender das autoridades judiciais canónicas que se irão pronunciar sobre cada documento, sobre a abertura e o encerramento do processo”, explica.
Levar o caso até Roma é, nas suas palavras, “um dever da Diocese e um direito dos cristãos, para que a Igreja se pronuncie, na sua autoridade máxima, sobre a vida e os ensinamentos desta mulher extraordinária”.
Um dos elementos decisivos no caminho para a beatificação é a comprovação de um milagre atribuído à intercessão de Madre Teresa. O reitor reconhece que “muitos terão acontecido ao longo do tempo”, mas que “falta documentação rigorosa” que os comprove oficialmente.
“Esta documentação é essencial, e por isso pedimos às pessoas que comuniquem ao Santuário as graças recebidas pela intercessão de Madre Teresa. Só assim poderemos avaliar a importância desses testemunhos no processo de canonização.”
Os relatos que chegam ao Santuário são inúmeros — curas, reconciliações familiares, libertação de aflições pessoais —, sinais de uma fé viva que atravessa séculos.
“As pessoas recorrem a ela quando se sentem em encruzilhadas da vida, quando percebem que, por si sós, não são capazes de resolver as suas dificuldades. E comunicam-nos essas graças, que são depois irão ser analisadas com atenção”, conta o reitor.
A verificação de um milagre, lembra, envolve comissões científicas e médicas, que avaliam se uma cura ou acontecimento é “inexplicável” à luz da ciência. Só depois é reconhecida a sua dimensão espiritual.
“O milagre acontece não por obra nossa, mas por obra de Deus, pela intercessão da Madre Teresa. É Deus quem opera, mas cabe-nos reconhecer e documentar.”
Desde a sua morte, em 1740, Madre Teresa da Anunciada é venerada pelo povo de Ponta Delgada, que a reconhece como a “Freira do Santo Cristo”. O reitor recorda que, na altura, “as pessoas acorreram em massa ao convento para ficar com relíquias suas”, sinal da fama de santidade que a acompanhou desde cedo.
Hoje, mais de dois séculos depois, essa devoção mantém-se viva no coração dos fiéis e na espiritualidade do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
“Este é um objectivo muito sério que impus a mim próprio enquanto reitor”, admite.
“Queremos completar o trabalho iniciado há quase três séculos, para que a Igreja possa propor ao mundo Madre Teresa da Anunciada como exemplo de fé, de coragem e de amor a Deus”, concluiu.

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