O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou do final da semana, a 16.ª edição do Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio (EPCC 2025), com data de referência da informação de 2023.
Tratar-se de um estudo que tem como objectivo prestar informação ao nível do município que traduza o poder de compra manifestado, no caso, integrados em 28 espaços geográficos considerados.
Nesta edição, foram consideradas 15 variáveis relativizadas pela população residente, que a partir de um modelo de análise factorial em componentes principais, permitem gerar três indicadores de síntese. Estes são o Indicador per Capita (IpC) do poder de compra (que pretende traduzir o poder de compra manifestado, em termos per Capita, nos diferentes municípios e regiões, tendo por referência o valor nacional (Portugal = 100); a Percentagem de Poder de Compra (PPC) e, por último, o factor Dinamismo Relativo (FDR).
No indicador de poder de compra per Capita, as regiões do país que asseguram (destacadamente) os índices mais elevados são as de Lisboa e Porto, com a Grande Lisboa a apresentar o valor de 127,58 e a Área Metropolitana do Porto de 105.96. Note-se que a Grande Lisboa constituía a única região NUTS II com valor acima da média nacional.
De resto, a leitura dos resultados do IpC para 2023 associa ao território continental um poder de compra superior ao observado nas duas regiões autónomas portuguesas: Enquanto o valor para o todo continental atingia os 100,6, na Região Autónoma da Madeira, este índice era de 88,1, e no caso da Região Autónoma dos Açores ficava-se pelos 87,62.
No entanto, entre os 28 espaços geográficos considerados, os Açores surgem com um indicador em posição intermédia, estabelecendo-se no 18º lugar. Com indicadores inferiores estão, por exemplo, o Alto Tâmaga e Barroso (73,92) Tâmega e Sousa (76,28) o mesmo o Douro (79,82).
Igualmente abaixo, mas mais ligeiramente, encontram-se, entre outras, os espaços geográficos do Baixo e Alto Alentejo, com índices de 86,45 e 86,13, respectivamente.
Por municípios, em 2023, o IpC situava-se acima da média nacional em apenas 31 dos 308 municípios portugueses, sendo o de Lisboa eu apresentava o mais elevado (181,3), seguido dos municípios do Porto (162,2) e de Oeiras (150,1). Além destes, destacavam-se na Grande Lisboa o município de Cascais (117,5), e na Área Metropolitana do Porto, os municípios de Matosinhos (119,6) e de São João da Madeira (111,5). No geral, a leitura dos resultados do IpC para 2023 associa ao território continental um poder de compra superior ao restante do país.
Nas disparidades inter-regionais, os Açores revelam uma particularidade a merecer atenção. Apesar de a Região mostrar um nível de poder de compra per capita abaixo da média nacional, a cidade de Ponta Delgada apresenta um IpC de 102,24, superior, inclusive, ao adstrito ao território continental.
Contudo, a disparidade entre os municípios açorianos no que ao poder de compra respeita, é transversal, variando entre os já referidos 102,24 em Ponta Delgada e os 66,01 no concelho do Nordeste. Entre os “menos maus” estão, entre outros, os municípios de Angra do Heroísmo (92,90), Vila do Porto (92,79), Horta (86,61) e Velas de São Jorge (84,35). No pólo oposto, ou pouco acima do Nordeste, surgem a Povoação (68,74), Lajes do Pico (72,11), Lajes da Flores (73,30) e Ribeira Grande, com um IpC de 76,04.
Percentagem de Poder
de Compra (PPC)
Quanto à acima referida Percentagem de Poder de Compra (PPC), ao nível municipal, Lisboa destacava-se ao representar 9,7% do poder de compra total, assim como o Porto, com 3,8%. Além destes, em 2023, apenas mais 21 municípios concentravam, individualmente, mais de 1% da PPC nacional, nenhum deles da Região Autónoma dos Açores, se bem que esta, no seu todo, apresentava um valor de 1,985.
Nos Açores, por concelho, em grande destaque surge Ponta Delgada (0,661), seguindo-se os municípios de Angra do Heroísmo (0,295), Ribeira Grande (0,231), Praia da Vitória (89,155), Horta (0,118) e Lagoa (0,112). Encerra a “tabela”, o concelho do Corvo, com uma PPC de 0,003.
A análise da concentração do poder de compra nos 308 municípios portugueses permite constatar que, em 2023, cerca de 7% (23) e 21% (65) dos municípios concentravam, respectivamente, cerca de 50% e 75% do poder de compra nacional. Estes resultados suportam a leitura de que o poder de compra se encontra associado à dimensão urbana dos municípios e, portanto, territorialmente muito concentrado.
No Factor Dinamismo Relativo (FDR), a análise por município salienta a relevância do poder de compra manifestado de modo irregular no Algarve. Em 2023, dos 19 municípios do país com um FDR superior a 1 desvio-padrão da distribuição, 12 situavam-se naquela região: Vila do Bispo, Albufeira, Lagos, Loulé, Aljezur, Lagoa, Castro Marim, Tavira, Portimão, Vila Real de Santo António, Silves e Monchique. De entre estes municípios, Vila do Bispo, Albufeira e Lagos destacavam-se com um FDR superior a 5 desvios-padrão (positivos). Os municípios de Grândola (3,653) e Alcácer do Sal (1,276), ambos no Alentejo Litoral, de Porto Moniz (2,252) e da Calheta (1,511), na Região Autónoma da Madeira, da Nazaré (2,192) e de Óbidos (2,142), na sub-região Oeste, e de Cascais (1,228), na Grande Lisboa, completavam o conjunto dos 19 municípios que apresentavam um FDR superior a 1 em 2023.
No outro extremo, mais uma vez destaque para o Açores. Do grupo com valores de FDR inferiores a -0,7 destacava-se o Corvo, com um considerável valor de –0,788. Na Região, o que mais se aproximava era o de Vila do Porto, com -0,659.
Neste parâmetro, a Região Autónoma dos Açores, no global, uma cifra de -0,263. Valores positivos somente em quatro concelhos: Povoação (0,723), Vila Franca do Campo (0,039, Madalena do Pico (0,104) e Lajes das Flores (0,175).
Por Rui Leite Melo
