Dentro de casa,
os meus passos são leves,
as minhas palavras, pequenas.
O medo esconde-se nos cantos,
como se respirasse comigo.
O espelho não me mostra inteira.
Mostra a força que me pedem,
e o cansaço que me cala.
Os meus olhos guardam histórias
que ninguém ousa perguntar.
Às vezes, penso em fugir,
em correr até esquecer o nome dele,
mas o medo prende-me
com correntes invisíveis.
Sinto-me presa entre gritos e silêncio,
entre o amor que eu devia sentir
e o medo que me corrói.
A minha própria casa é uma prisão.
Mas ainda há esperança:
No sussurro da minha coragem,
no abraço que um dia darei a mim mesma,
no direito de ser inteira
sem dor, sem medo, sem humilhação.
Quero um mundo que me proteja,
quero os direitos que me pertencem.
Quero que o meu grito seja ouvido
e que as minhas lágrimas não sejam em vão.
Um dia, sei, a violência vai acabar.
E eu caminharei livre,
com a força que ninguém pode quebrar,
com a voz que ninguém pode calar.
Porque eu sou mulher.
Eu existo.
Eu mereço.
Sandra Mendes*
* Educadora de Infância
Campanha 16 Dias pelo Fim da Violência contra as Mulheres 2025