Há polémicas que nascem do nada e crescem sem razão. A discussão em torno do 25 de novembro é disso exemplo: uma futilidade sem comparação. É possível – e desejável – celebrar abril e novembro em simultâneo. O 25 de abril abriu as portas da liberdade, derrubou a ditadura e devolveu ao povo a dignidade de escolher o seu destino. O 25 de novembro, por seu lado, garantiu que essa liberdade não se transformaria em desordem, que a democracia não seria refém de radicalismos. Uma foi o reverso da outra, ambas se complementam. Abril deu-nos o sopro da mudança; novembro consolidou o caminho.
Com autoridade se pode dizer que a democracia portuguesa é filha desses dois momentos inseparáveis. Negar um deles é amputar a memória coletiva, recusando as suas naturais diferenças. As duas permitiram um regime plural, aberto e estável.
Mas, mais do que datas passadas, o futuro exige um foco muito amplo. Portugal continua empobrecido, endividado, dependente de ajuda externa, atrasado na educação, na habitação, na cultura e na saúde. É neste quadro que abril e novembro devem ser evocados: não como trincheiras ideológicas, mas como atos simbólicos de responsabilidade. Abril lembra-nos que sem liberdade não há progresso. Novembro recorda-nos que sem ordem não há futuro.
Por outro lado, dentro de dois meses o país elege o Presidente da República. É mais um momento de afirmação democrática. Cabe ao povo decidir quem melhor encarna a responsabilidade de guiar o país num tempo de dificuldades e esperanças. Entre os candidatos, Cotrim de Figueiredo surge como voz que exige rigor, transparência e modernidade. A sua candidatura exorta-nos a pensar no futuro com coragem, a enfrentar o empobrecimento e o atraso estrutural sem ilusões, mas com determinação. Num sentido estritamente político, Cotrim parece-nos ser o único candidato capaz de anular a extrema-direita ascendente.
Ainda sobre o cravo e a rosa, se tivéssemos de escolher, escolheria convictamente a rosa.
Luís Soares Almeida
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