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Diário que sobrevoa o Atlântico

Inspirado pela beleza extravagante que a Natureza concedeu à minha terra açoriana, decidi passar as horas de voo na nossa Sata sobre o gigante Atlântico, colocando os dedos no teclado do meu portátil e dar tréguas esta semana ao espírito crítico. A altitude provoca aproximação aos céus da imaginação e esta dá largas à sua paixão. Além disso, aproxima-se o Natal – a grande festa da Família – o convite à Paz que muitos teimam em rejeitar.
Acorda a manhã na plataforma marítima dos Açores como quem abre os olhos a um mapa antigo que respira. O Atlântico, enorme e insistente, parece ter sido desenhado para testar a paciência dos homens e dos ventos. Este enorme pedaço de Mar, pela sua grandeza, impõe-se como um rochedo moderno, um corpo gigantesco que cintila entre rochedos de sal e o azul que não admite hesitações.
À hora em que o sol desce, a plataforma ganha outra luz: não apenas a da lâmpada, mas aquela que vem do ocaso que colore o Atlântico. As cores mudam com a atmosfera, como se o oceano respirasse com os olhos da ilha. É a memória viva de uma relação antiga entre homem e oceano.
A área marítima dos Açores é um conjunto de ecossistemas, recursos e dinâmicas que se estendem por uma das regiões mais oceânicas do planeta. As ilhas, distribuídas num arco entre a América e a Europa, coloca o arquipélago no coração do Atlântico Norte, numa zona de encontro entre correntes quentes e frias, o que favorece uma biodiversidade peculiar de uma grande importância económica, social e ambiental.
Do ponto de vista geográfico e hidrográfico, o Mar dos Açores envolve águas profundas, enseadas, falésias costeiras e plataformas insulares. As zonas costeiras das ilhas variam entre falésias abruptas de origem volcânica e margens menos acentuadas com praias de areia ou rochas. A plataforma continental é relativamente ampla em algumas ilhas, proporcionando habitats para espécies marinhas diversas. As águas que rodeiam o arquipélago são dinamicamente influenciadas por correntes oceânicas, que transporta água vinda do Golfo do México, contribuindo para a fertilidade da região e para a ascendência de pelágicos, cetáceos e peixes demersais.
A biodiversidade marinha dos Açores é extraordinariamente rica. O arquipélago constitui uma região de grande importância para a conservação de espécies de alto valor ecológico e económico, incluindo baleias, golfinhos, tartarugas e uma variedade de peixes comerciais.
Do ponto de vista ambiental, a gestão da área marítima dos Açores envolve conservação, pesquisa científica e políticas de uso responsável. Existem áreas marinhas protegidas que visam preservar ecossistemas sensíveis, recifes, áreas reprodutivas de peixes e habitats de espécies migratórias. A monitorização ambiental, a inovação tecnológica na observação oceânica e a cooperação entre instituições públicas e privadas são fundamentais para equilibrar a atividade econômica com a proteção ambiental. A educação ambiental e a participação comunitária também são pilares importantes para promover práticas sustentáveis entre pescadores, empresários e moradores das ilhas.
A área marítima dos Açores representa um espaço de extraordinária riqueza natural, cultural e económica. A sua gestão exige uma visão integrada que combine conservação da biodiversidade, sustentabilidade económica, inovação científica e resiliência às mudanças climáticas, garantindo que as águas do Atlântico continuem a sustentar as comunidades insulares e a diversidade de vida marinha que caracteriza estas Ilhas de maravilha. É um trabalho de enorme responsabilidade dos açorianos, eleger políticos à altura das exigências que a Mãe Natureza lhes impôs.
José Soares

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