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Greve geral: Educação, saúde, bombeiros e transportes lideraram a paralisação nos Açores

A participação por parte dos açorianos na greve geral ocorrida no dia de ontem foi significativa, especialmente nos sectores da educação, saúde e transporte.
Segundo Rui Teixeira, o coordenador da Confederação Geral Dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional/Açores (CGTP/Açores), em declarações à Antena 1 Açores, o impacto da greve na Região foi muito significativa, especialmente com a participação dos mais jovens: “neste momento aquilo que nós podemos dizer é que é uma adesão muito significativa, em todos sectores, em todas as ilhas, com dados naturalmente diferenciados e que vamos continuar a recolher no dia de hoje, e nos próximos dias. Trabalhadores que nunca tinham aderido a uma greve, juntarem-se também a esta, precisamente porque perceberam que os motivos do protesto são agora para serem concretizados e não depois da legislação estar aprovada, como pretenderia o governo. Temos dados de adesão que nos permitem dizer que esta foi uma grande greve geral. A maior parte das escolas da região está completamente encerrada, os hospitais estão a funcionar praticamente só com os serviços mínimos. O colégio de Santo António na Horta, que não costuma encerrar, encerrou. Também na comunicação social temos sentido uma grande adesão dos trabalhadores (…). Portanto, estamos a falar de uma adesão em praticamente todos os sectores.”
Por outro lado, Manuel Pavão, líder da União Geral dos Trabalhadores (UGT), em declarações ao mesmo meio de comunicação, lamentou a menor adesão no privado, principalmente na área da banca, embora tenha realçado a adesão registada na administração pública e nas empresas públicas regionais: ”estava à espera de ter um impacto grande sobretudo nos sectores público, ao nível do ensino e da saúde bem como das empresas públicas”. Porém, no sector privado, o sindicalista reconhece que nos Açores é mais difícil fazer greve: “nos sectores que gostaria que tivessem um maior impacto da actividade privada, como por exemplo, a grande distribuição, a hotelaria, restaurantes, todos estes sectores em que este pacote laboral incide mais ia prejudicar mais, não tiveram impacto, não tiveram grande adesão. A banca por exemplo, accionou o fundo de greve. Eu esperava que a banca hoje tivesse um maior impacto, que estivesse encerrada, mas está aberta na maior parte, só um ou dois é que fez greve”, revelou.

Adesão dos professores
foi significativa

No que respeita à educação, a adesão à greve foi significativa, uma vez que muitos foram os estabelecimentos de ensino que não abriram durante o dia de ontem. Segundo António Fidalgo, presidente da direcção do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPS), a adesão por parte dos professores foi eficaz: “neste momento depois de termos feito o apuramento global daquilo que foi a adesão dos professores, nós temos que considerar que ela foi significativa, uma vez que a grande maioria das escolas na região, das várias ilhas, tiveram que encerrar as suas actividades lectivas durante o dia de hoje.” Para o presidente do SDPS a adesão à greve geral esteve dentro das expectativas: “estará dentro das expectativas, naturalmente que temos variações de adesões de forma diferente nas várias escolas, mas o que é certo é que as escolas, na sua maioria, nas diferentes ilhas encerraram. Temos escolas encerradas na grande maioria em São Miguel; na Terceira, na Faial e noutras ilhas também, sendo que as actividades lectivas não puderam desenrolar-se com normalidade”, frisou ao nosso jornal.
Quando questionado sobre o impacto que esta greve poderá ter para a região, António Fidalgo considera que a mesma tem como objectivo consciencializar os partidos políticos para as pospostas à alteração ao novo código de trabalho: “ o impacto terá de ser naturalmente de consciencializar os partidos políticos para aquilo que são as propostas neste momento à alteração ao código de trabalho e que são gravosas para todos os trabalhadores, incluindo para aqueles que são também da administração pública. Portanto, estas alterações terão que ser repensadas e tem que haver uma negociação séria, no sentido de haver uma consciencialização daquilo que é necessário aprovar”, finalizou.

Adesão total na aviação,
refere o SPAC

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), em nota de imprensa confirmou que a adesão à Greve Geral convocada para o dia de ontem, 11 de Dezembro foi “massiva entre os Pilotos, resultando numa paragem quase total da operação aérea nacional”, realçando que a “aviação civil portuguesa disse “Não” à reforma “Trabalho XXI”, cumprindo o mandato democrático da Assembleia Geral.”
Segundo a nota, foram cumpridos “apenas os Serviços Mínimos decretados, garantindo as ligações essenciais, mas demonstrando inequivocamente a força da classe.”
De acordo com o Presidente do SPAC, Hélder Santinhos, “A maioria dos Associados entendeu que este é o momento de traçar um limite. A gravidade das medidas propostas pelo Governo exige uma resposta firme. Não vamos voar enquanto os direitos dos trabalhadores estiverem sob ataque. A paralisação será total e a responsabilidade pelos transtornos recai inteiramente sobre quem insiste em legislar contra quem trabalha.”
Quanto ao retrato da greve e do seu impacto nos Açores, o SPAC referiu que a adesão por parte da Grupo SATA foi total, tendo voado os serviços mínimos “tanto na SATA Air Açores como na Azores Airlines (SATA Internacional), a operação está igualmente resumida ao cumprimento estrito dos serviços mínimos decretados, com a frota comercial em terra”, frisou a nota
“O SPAC saúda a coragem e a determinação de todos os Pilotos que hoje, prescindindo do seu salário e enfrentando pressões, mantêm os aviões em terra em defesa do futuro da profissão e dos direitos de todos os trabalhadores em Portugal”, finalizou a nota.

Cancelada operação aérea
da SATA Air Açores

O Grupo SATA, em nota de imprensa, informou que a SATA Air Açores foi obrigada a cancelar alguns voos previstas para o dia de ontem, incluindo os voos mínimos decretados, dada a “inexistência de informação meteorológica essencial à realização da operação aérea, serviço prestado pelo IPMA.”
A companhia aérea “alheia a esta situação”, lamentou os “transtornos causados aos passageiros cujas reservas se encontravam confirmadas nos voos” que iriam operar no dia de ontem, tendo estado a “informar os passageiros sobre esta alteração e a propor alternativas para a sua reacomodação”.
Porém, o Grupo SATA informou que a operação aérea “poderá voltar a sofrer constrangimentos e/ou cancelamentos” no dia de hoje, 12 de Dezembro, “tendo em conta o pré-aviso de greve pelo Sindicato Independente da Função Pública, que poderá voltar a ter impacto nos serviços de informação meteorológica prestados pelo IPMA para o Arquipélago dos Açores”, finalizou a nota.

Adesão superior aos 90%
nos quartéis de Bombeiros
dos Açores

Nos Bombeiros e Protecção Civil nos Açores, que estavam de greve desde as 19 horas de Quarta-feira, abrangido assim dois turnos, a adesão ultrapassou os 90%, referiu José Feliciano do Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais, em declarações à Antena 1 Açores.
“No turno de ontem à noite nós tivemos uma adesão de cerca de 90% a nível geral, ou seja, muitos quartéis de bombeiros aderiram quase na totalidade a 100%. Houve alguns que, como funciona como bombeiros voluntários, esses não aderiram a greve”, explicando que na manhã dia de ontem, o levantamento realizado indicava que a adesão à greve rondava os 95%.

SINDEPOR marca greve
para o dia de hoje

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR) marcou greve de enfermagem para o dia de hoje, dia seguinte à greve geral. Segundo nota de imprensa, esta greve “decorre das 8h00 às 24h00 e abrange todas as instituições do SNS e demais entidades públicas onde trabalham enfermeiros, no continente e ilhas.”
Este greve deve-se por um lado à “interrupção das negociações, com o Ministério da Saúde, para concretizar um Acordo Colectivo de Trabalho (ACT)” e por outro “prende-se com o ante-projecto de reforma da legislação laboral que o Governo pretende aprovar e que o Sindepor considera extremamente gravoso para a enfermagem, contribuindo ainda mais para agravar o sentimento de descontentamento generalizado que grassa na profissão”.
O SINDEPOR frisa ainda que a este dois motivos junta-se também “a luta pelo reconhecimento da enfermagem como profissão de desgaste rápido e por um modelo de avaliação de desempenho mais justo, transparente e exequível, que considere as especificidades da profissão e que promova o desenvolvimento profissional e salarial dos enfermeiros, contribuindo dessa forma para o reforço e estabilidade do SNS.”

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