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Sidónio Bettencourt: competência, educação e humanismo

No momento em que Sidónio Bettencourt deixa a rádio e a televisão nos Açores, após 50 anos de intenso e profícuo labor, não posso deixar de dizer algumas – embora modestas – palavras sobre ele, com muita consideração e muita amizade.
Trabalhei com Sidónio Bettencourt no jornal Correio dos Açores, em Ponta Delgada, há muitos anos. Destaco na sua personalidade três grandes e invejáveis características: competência, educação e humanismo. Essas são as “chaves” do seu sucesso na vida, a que se junta reconhecido talento literário também, como escritor e poeta. Ele é, verdadeiramente e para todos os efeitos, um enorme valor da terra açoriana.
Sem desrespeitar os cânones do jornalismo, ele já tinha nesse passado de há uns 40 anos uma escrita flexível, arejada e criativa, que eu admirava e invejava, mas que jamais conseguiria imitar. Ele foi sempre um inovador, um criador, um comunicador de excelência, tanto na comunicação social escrita como na falada. Pode ser integrado no escol dos melhores jornalistas e comunicadores portugueses, sem qualquer dúvida.
Com todo o respeito, mas também com toda a sinceridade, não apreciei a sua passagem pela política, em minha opinião foi um equívoco na sua vida, pela simples razão de que ele é um homem da Cultura em termos gerais, não tem vocação política. O exercício da política, de facto, não é a sua “praia”, embora possa ter as suas ideias políticas, como qualquer pessoa.
Passou por grandes desgostos pessoais, que o seu humanismo e a sua inteligência ajudaram a superar. Tenho muita consideração e muita amizade por ele, repito. Ainda tem muito a dar aos Açores e a Portugal. De facto, não consigo imaginar Sidónio Manuel Moniz Bettencourt, de seu nome completo, a deambular pela vida sem usar os seus vastos conhecimentos e o seu enorme talento, principalmente em actividades culturais.
De várias partes e de distintas personalidades que o conhecem bem, ele tem recebido manifestações de muito apreço e enorme gratidão, muito justamente, pelo muito que fez por todas as ilhas dos Açores e pelas comunidades açorianas dispersas por vários pontos do mundo, unindo todos em ideias positivas e ideais nobres, na defesa e promoção da açorianidade, expressão imortalizada por Vitorino Nemésio, grande vulto intelectual, natural da ilha Terceira. Com notável empenho e evidente emoção, Sidónio Bettencourt soube sempre interpretar e compreender o que há de melhor, de mais genuíno e de mais profundo na alma açoriana.
Profissional qualificado e experiente, nascido na ilha de São Miguel, Sidónio Bettencourt tem fortes laços familiares e sentimentais à ilha do Pico, que ele sempre muito amou e ama, enaltecendo, nomeadamente, os baleeiros e a respectiva vivência, de algum modo na senda de José Dias de Melo, outro grande escritor açoriano, natural precisamente da ilha-montanha. Sidónio Bettencourt fez dessa ligação tão estreita à ilha do Pico um bairrismo saudável e louvável. Eu diria que o seu comprovado açorianismo enraiza-se principalmente na ilha do Pico, não para dicotomias e divisionismos estéreis, mas para abraçar todas as parcelas açorianas no único desiderato de progresso humano, social, cultural e económico.
O nome a todos os títulos ilustre de Sidónio Bettencourt merece a maior homenagem de todos os açorianos: este é o meu contributo, embora limitado. Grande Sidónio Bettencourt, grande açoriano e grande português!
Tomás Quental Mota Vieira

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