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Sentei-me à mesacom algumas emoções

Por dever de urbanidade e porque hoje me sento à mesa com algumas emoções, permitam-me começar por vos cumprimentar. Chamo-me José Nuno Raposo, sou psicólogo no concelho da Povoação e convido-vos a sentarem-se na minha mesa de reflexão.
Os/As convidados/as são universais: a alegria, a tristeza, a raiva e o nojo. Os/As restantes ficam, ou não, para um próximo convite.
Eu sei, todos sabemos. Todos costumamos sentir, hoje ou amanhã, na mesa ou fora dela. Umas mais agradáveis, outras nem por isso. Umas mais suportáveis, outras insuportáveis. Não é verdade?
Sei que é, para muitos/as, deselegante, estarmos à mesa com os nossos telemóveis. No entanto, e permitam-me, agora, que de hoje em diante, passemos a interpretar todas estas emoções como uma SMS enviada pelo nosso cérebro – esse órgão do nosso sistema nervoso tão complicado, por vezes, de se lidar.
Eu sei, todos sabemos. Nem todas as SMS vêm de pessoas amigas, mas, garanto-vos, nenhuma destas emoções é vossa inimiga. Pelo contrário, são possíveis BFF. E quem não gosta de um ombro amigo?
Quando estamos à mesa com a alegria, tudo parece bem. Parece até que ficamos com mais fome, não é? Pois bem, esta emoção tem como função sinalizar que algo de bom está a acontecer. Então, nesse prisma, e todas as vezes que se sentirem alegres, perguntem-se: 1) onde estou? 2) com quem estou? o que estou a fazer? Já quando estamos tristes, preferimos nem sequer comer, muito menos aceitar convidados e, assim, estarmos sozinhos/as no nosso tão querido cantinho e, talvez, às escuras, quase como se tivéssemos só vontade de adormecer para não termos de lidar com os nossos pensamentos. Contudo, e como amiga que é, a tristeza tem como função, entre outras, avisar que algo pode não estar bem, fazer-nos refletir e aprender ou até mesmo a pedir ajuda ou tomar decisões impulsivas. Eu sei, todos sabemos – a precipitação é inimiga da boa decisão.
E a raiva? Quando decide ser mais vocal e até nos faz dar um murro na mesa? Podemos e ficamos, muitas vezes, vistos como mal educados e nunca mais somos convidados para nada. A raiva é socialmente mal vista, mas se não fosse ela nós nunca conseguiríamos estabelecer as nossas linhas vermelhas, isto é, os nossos limites e é ela que sinaliza perigos, ameaças, injustiças ou violações de limites pessoais.
Por fim, mas não menos importante, o nojo saiu da mesa, não só porque não gostou da comida, mas porque se sentiu desprotegido e desaprovado. O nojo evita uma contaminação, mas incentiva à autopreservação social e moral.
Obrigado pela atenção e estão todos/as convidados/as para a próxima mesa. Se houver!
Fique bem, pela sua saúde e de todos os Açorianos! Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

José Nuno Raposo *
* Psicólogo

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