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Apelo contra “musgão” nos presépios: colher esfagno em São Miguel é contraordenação ambiental muito grave

Foi amplamente divulgado o apelo lançado pelo Parque Natural de Ilha de S. Miguel, para que não se colha, ou apanhe, o Esfagno, mais conhecido por “musgão”, nesta época natalícia, para a construção de presépios. Acrescenta o aviso que a “sua prática constitui uma contraordenação ambiental muito grave”.
A APPAA- Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores – associou-se à divulgação do apelo, já que considera que este elucida com clareza a importante função do Esfagno para a retenção da água da chuva, evitando a erosão dos solos, contribuindo para a regularização do caudal das ribeiras, diminuindo o risco de enxurradas. Mais, desempenha um importante papel na purificação da água e no aumento das suas reservas subterrâneas. Normalmente está associado a outras espécies de briófitas, geralmente chamados “musgos” e outras plantas nativas de pequeno porte.
Perante reações negativas sobre aquele apelo, com argumentos como “sempre se fez assim”, ou “é o presépio tradicional”, a APPAA considera justificável reforçar o esclarecimento sobre os perigos em que se incorre com a perpetuação destas práticas.
Bastaria um facto comprovado recentemente pelo IVAR – Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos – que divulgou um estudo realizado nos últimos 42 anos na Ilha de S. Miguel, para que se deixasse de utilizar, em definitivo, o “musgão”. Na verdade, os dados recolhidos no estudo mostram que houve uma diminuição de 25% na quantidade média de queda de chuva naquela ilha ao longo daqueles anos. Na última década agravou-se a diminuição da precipitação, pelo que é ainda mais necessário tomar medidas para evitar que a água falte.
A Floresta da Laurissilva, onde o Esfagno se desenvolve, tem uma expressão reduzida, mas a sua proliferação constituiria a melhor forma de reter e garantir a qualidade de água de que dispomos. O que se comprovou para a Ilha de S. Miguel é um modelo que não será significativamente diferente das outras ilhas da Região. Deste modo, não chegam os esforços desenvolvidos pelos programas de recuperação. Todos os cidadãos têm a responsabilidade de contribuir para cuidar da natureza, no mínimo, não contrariando os esforços que são desenvolvidos para a sua preservação.
Na sequência dos rituais ancestrais na Europa e Ásia que comemoravam o solstício de inverno, como forma de festejar o fim do declínio do sol e da natureza, as igrejas cristãs adotaram esta época para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, filho de Deus, o qual é considerado, por aquelas, como o único “Criador de todas as coisas”.
Não se entende, então, que se contribua para a destruição do que foi criado por essa entidade, com o pretexto de a homenagear. Muito menos se entende que os crentes se achem no direito de destruir a obra do seu Criador, para o venerar! Seria uma contradição inexplicável.
Além das crenças individuais, existem os factos que obrigam a todos defender o seu meio ambiente, protegendo a sua segurança, o seu bem-estar e o de toda a sociedade.
A APPAA apela a que, que nas decorações de Natal, sejam apenas utilizadas as espécies que são autorizadas e certificadas.
A APPAA considera positiva a criação de viveiros de plantas pelas autarquias locais e a utilização das que são aí criadas para a construção de presépios. A utilização de espaços naturais em zonas urbanas para as decorações de Natal salienta muito melhor o cenário que se quer representar.
O exemplo deveria ser seguido por todas as famílias, usando os recantos disponíveis para a criação de plantas. Os espaços verdes, ajardinados, são um contributo importante para a saúde física e mental de todos os cidadãos.

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