Edit Template

Mais um Ano com Velhos problemas

Este é o nosso último trabalho de 2025. Mais uma vez, vamos sair do óbvio e relembrar o que nem aos Papas interessa fazer: Falar da viciosa continuidade da discriminação de género.
De tudo o que conhecemos sobre as (Des)igualdades de género no pensamento contemporâneo, muito nos falta ainda neste beco com saída procurada.
A violência física, verbal ou outra é sempre criminosa. Um atentado ao direito individual.
A discriminação de género provém duma formatação patriarcal dada através dos séculos pelas culturas e religiões, aos povos de várias sociedades desde os primórdios humanos sobre este planeta.
A Bíblia hebraica ou Velho Testamento cristão por exemplo, apresenta-se completamente machista aos olhos de hoje. Nem por isso os judeus, cristãos ou islâmicos deixaram de ser crentes no seu Deus masculino. Semearam algumas mulheres aqui e ali pelas suas páginas, mas elas eram, tal como Eva, fontes do Mal ou provocavam desastres. Com vários argumentos simplistas os homens acabavam por impor a sua visão única e interesseira da existência de ambos. A algumas mulheres foi-lhes dado lugar de algum relevo, mas nenhuma chegou a profeta…!
Nas culturas que antecederam o monoteísmo, algumas foram endeusadas. Os Gregos e os Romanos tinham Deusas.
Já nos ensinamentos de que Deus fez o Homem e só depois fez a Mulher, coloca o feminino, inevitavelmente, em segundo plano e, no pensamento atual, discriminada e em absoluta desigualdade. Sendo um ser inferior – para seguir o pensamento patriarcal – ela deve submeter-se ao macho companheiro. E podíamos imaginar o seguinte como exercício de raciocínio: Deus fez a Mulher e dela tirou uma costela e fez o Homem.
“… Quando a mulher [o homem] viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter conhecimento, tomou do seu fruto, comeu-o e deu a seu marido, [a sua mulher] que comeu também.”
Já durante o século dezoito, “…Olympe de Gouges, uma das primeiras feministas, que escreveu uma grande variedade de coisas interessantes durante a Revolução Francesa, tornou-se mais conhecida pela sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, de 1791, na qual argumentava que todos os direitos dos homens, enumerados pelos revolucionários em 1789, também pertenciam às mulheres. Mas as suas mais memoráveis linhas são encontradas num longo tratado escrito em 1788. Foi a sua versão do Contrato Social que ela, sem falsa modéstia, considerou igual ou até superior ao de Rousseau. Nesse tratado, Olympe de Gouges oferecia uma dezena de propostas de reformas políticas e sociais, bem como longas críticas às atitudes e práticas dos seus contemporâneos.”
É da investigadora JoanWallach Scott a citação do parágrafo anterior, socióloga americana com vários livros publicados sobre estes assuntos, num trabalho intitulado “O enigma da igualdade”, onde trata primorosamente os vários problemas de interpretação social das diferentes minorias, estabelecendo, através deste artigo, “…uma discussão sobre os conceitos de igualdade e diferença, do género, das identidades individuais e de grupo, enfatizando a necessidade de historicidade do tema dentro da sociedade contemporânea.”
Nenhum dos atuais candidatos à presidência da república portuguesa falou ainda sobre esta problemática social que continua a ser uma doença em muitas famílias. A violência física ou verbal ou a discriminação secular ou religiosa.
Na sua primeira homilia de Natal, o Papa Leão XIV nada disse sobre o assunto, sendo a Igreja Católica Apostólica Romana uma das responsáveis pelos nefastos resultados a que ainda hoje assistimos.
Um Estado de Direito não deveria aceitar imigração que, cultural e comprovadamente, exerça atos discriminatórios flagrantes e graves contra a Mulher – como o caso do Islão.
Mas como pode uma nação proibir aos outros aquilo que ainda pratica?
José Soares

Edit Template
Notícias Recentes
Nuno Sousa, ordenado Sacerdote em 2020, é actualmente o Pároco da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação na Vila de Capelas
Governo promove IV Fórum das Migrações no Corvo e nas Flores
Paulo do Nascimento Cabral reúne com a Cônsul dos Estados Unidos nos Açores
Tríduo Pascal e Missa de Páscoa marcam o ponto alto do ano litúrgico cristão
Biblioteca Municipal Daniel de Sá acolhe Feira do Livro Usado e apresenta cartaz de actividades em Abril
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2023 Diário dos Açores