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2025 nos Açores: ano marcado por eleições, privatizaçãoda SATA arrasta-se e saúde aguarda definição das obrasdo Hospital do Divino Espírito Santo

O ano de 2025 ficou marcado, nos Açores, por um calendário eleitoral exigente, por episódios relevantes de instabilidade política a nível nacional com reflexos directos no arquipélago, e por um conjunto de acontecimentos que voltaram a colocar a Região Autónoma dos Açores no centro de dossiers estruturais: transportes, saúde, protecção civil e sustentabilidade. Pelo caminho, o turismo manteve trajectória de crescimento em vários indicadores, enquanto a natureza lembrou, com sismos e com a passagem do ciclone pós-tropical Gabrielle, a vulnerabilidade do território a fenómenos extremos

Região chamada às urnas
O ano teve, desde cedo, um contexto político condicionado por Lisboa. A 11 de Março, o Governo da República caiu após o chumbo de uma moção de confiança e o Presidente da República dissolveu a Assembleia da República (AR), marcando eleições legislativas antecipadas para 18 de Maio de 2025.
Nos Açores, o círculo eleitoral voltou a ser disputado voto a voto: a Aliança Democrática (AD) venceu e a coligação Partido Social Democrata (PSD)/Centro Democrático Social – Partido Popular (CDS-PP)/Partido Popular Monárquico (PPM) aumentou de dois para três o número de deputados eleitos pela Região, com o Partido Socialista (PS) a eleger um e o Chega a eleger também um deputado.
Meses depois, nova ida às urnas: as eleições autárquicas, realizadas em 12 de Outubro de 2025, redesenharam o mapa do poder local no arquipélago. O PSD e coligações lideradas pelos sociais-democratas somaram nove câmaras municipais, enquanto o PS venceu em oito; houve ainda uma câmara presidida pelo CDS-PP e uma por um grupo de cidadãos. Em Ponta Delgada, o social-democrata Pedro Nascimento Cabral garantiu a reeleição sem maioria, num resultado acompanhado com particular atenção por ser o maior município da Região.

Sismos: a Terceira voltou
a sentir a crise sismovulcânica
No capítulo do risco natural, o ano começou com a Terceira sob sobressalto. A 19 de Janeiro, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) registou dois eventos com epicentro junto à Serreta, um deles de magnitude 4,2, sentido com intensidade máxima VI (Escala de Mercalli Modificada) em várias freguesias do concelho de Angra do Heroísmo, no contexto da crise sismovulcânica em curso desde 2022.
Ao longo do ano, a sismicidade manteve-se como pano de fundo, com vários avisos e comunicados oficiais, incluindo registos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e informação da Protecção Civil regional que reforçaram a percepção pública de que a “normalidade” sísmica nos Açores é, muitas vezes, feita de episódios intermitentes, mas persistentes.

Tempestade Gabrielle: o mar
e o vento testaram a resposta
operacional

No final de Setembro, o arquipélago foi atingido pela tempestade pós-tropical Gabrielle, que motivou avisos meteorológicos máximos em várias ilhas, com rajadas previstas até 200 km/h e agitação marítima com ondas entre 14 e 18 metros.
A passagem do fenómeno traduziu-se em centenas de ocorrências com quedas de árvores, danos em coberturas e estruturas e obrigou ao realojamento de 16 pessoas em ilhas do Grupo Central.
Turismo e mobilidade: números fortes, debate permanente sobre capacidade
Apesar da instabilidade meteorológica e sísmica, 2025 confirmou a centralidade do turismo e da conectividade aérea na economia regional. Em Agosto, os Açores registaram mais de 691 mil dormidas, uma subida de 2,2% face ao mês homólogo; no acumulado de Janeiro a Agosto, a Região ultrapassou 3,3 milhões de dormidas, crescendo 5,8%.
Do lado da mobilidade, os passageiros desembarcados também evidenciaram dinamismo: no 2.º trimestre, desembarcaram 679.751 passageiros nos aeroportos açorianos, um aumento homólogo de 5,6%, de acordo com o Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA). Já em Setembro, o SREA reportou 247.462 passageiros desembarcados, uma variação de -0,4% face ao mesmo mês do ano anterior, sinalizando oscilações e a sensibilidade do sector a múltiplos factores (procura, oferta, meteorologia e operação).

SATA e transportes: privatização
voltou ao centro
do tabuleiro político
O processo de privatização da Azores Airlines voltou a marcar a agenda política e económica. Em Março, o Governo Regional assumiu publicamente passos e condições do dossiê, incluindo a referência à alienação de 85% do capital a uma nova entidade e à separação entre operações, no quadro do processo. No fim do ano, o tema regressou ao Parlamento regional, com acompanhamento em sede de comissão na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA).

Governo anuncia a intenção
de privatizar diversas
Empresas Públicas

A par do processo de privatização da Sociedade Açoreana de Transportes Aéreos (SATA), 2025 ficou ainda marcado pelo anúncio, por parte do Governo Regional, de uma intenção mais ampla: avaliar a privatização total ou parcial de entidades do Sector Público Empresarial Regional (SPER), com base num estudo encomendado para definir modelos, impactos e condições.
Entre as empresas apontadas como possíveis candidatas a passar a ter gestão privada, surgiram a SEGMA – Serviços de Engenharia, Gestão e Manutenção e a Globaleda (do grupo Electricidade dos Açores (EDA), a Lotaçor – Serviço de Lotas dos Açores, S.A.), a Portos dos Açores, S.A., o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA) e o Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas e o Instituto Público Regional da Administração (IAMA, IPRA).
O anúncio gerou discussão política na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, tendo o Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, defendido que a estratégia visaria dar “impulso” à economia privada.
A discussão alargou-se também a outras estruturas e serviços referidos no debate público, como a Atlânticoline e o Teatro Micaelense, entre outras entidades incluídas no perímetro político-mediático da medida.

Saúde, greves e o peso
do quotidiano
No plano social, a saúde manteve-se como assunto central, com o futuro do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), após o incêndio de Maio de 2024, a dominar o debate político. Em Novembro, no contexto da discussão do Plano e Orçamento para 2026, o Governo Regional apontou para um “novo e moderno” hospital, admitindo remodelação e ampliação de áreas críticas, enquanto oposição e sindicatos continuaram a exigir decisões mais rápidas e soluções estruturais.
Também o movimento sindical voltou a fazer-se ouvir. Houve convocatórias para greves na administração pública regional e protestos laborais ao longo do ano, incluindo a greve geral apontada de 11 de Dezembro, reflectindo tensões sobre salários, carreiras e custo de vida.

Retrato de 2025: desafios
antigos, pressões novas

O balanço de 2025 deixa um retrato claro: os Açores viveram um ano de forte actividade política com legislativas antecipadas e autárquicas e também de exposição a riscos naturais, enquanto continuaram a carregar dossiers estruturais que não admitem adiamentos longos: transportes aéreos, organização do sistema de saúde, protecção civil e capacidade de resposta a eventos extremos. A Região entra em 2026 com turismo robusto, mas com a exigência acrescida de transformar crescimento em resiliência e resiliência em política pública com resultados mensuráveis.

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