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Saúde (do) Pública(o) (51)

Expectativas para a Saúde em 2026

“Nos Açores, a população ambiciona um sector da saúde mais próximo e humanista, com redução da dependência das evacuações inter-ilhas e um maior investimento nas infraestruturas.”

2026: esperanças, possibilidades, evolução previsível e tendências

A análise da informação disponível mostra que os norte-americanos esperam, em 2026, uma transformação profunda no sistema de saúde, impulsionada pela inteligência artificial (IA), para conseguirem diagnósticos mais rápidos e tratamentos personalizados, e terem ao seu dispor alternativas na área da prevenção, como a medicina de longevidade e exames laboratoriais. Desejam também que os medicamentos GLP-1 (para o controlo da obesidade e da diabetes) se tornem mais acessíveis, assim como modelos como o “Medicare Advantage” (vistos como redes de “segurança social” mais económicas). Na prática, os cidadãos dos EUA esperam uma maior aposta na prevenção e na equidade em saúde. Apesar deste optimismo, a Realidade aponta obstáculos importantes. A adopção da IA enfrentará entraves regulatórios e éticos. Os custos com a saúde continuarão a ser elevados, com aumento nos prémios de seguro (6% a 9%) para os empregadores, e a migração gradual para cuidados de ambulatório e pós-agudos. A escassez de profissionais (até 4,5 milhões de enfermeiros até 2030) agravará as pressões, levando a estratégias, como a externalização e a formação em competências digitais. Previsivelmente o Sistema evoluirá com mais fusões e aquisições, a fim de se ganhar escala. Haverá maior escrutínio sobre a indústria farmacêutica, e reformas estatais e federais que promoverão a transparência. Os modelos de cuidados de saúde deslocar-se-ão para ambientes de menor custo, como as clínicas comunitárias e a monitorização remota. A IA será adoptada de forma gradual, em primeiro lugar para a automatização administrativa.
A Despesa com a Saúde (em % do PIB) prevê-se que aumente para 18,6% em 2026, reflectindo um crescimento ligeiramente superior ao da economia. A Esperança de Vida ao Nascer (78,9 anos em 2025) continuará a aumentar, rumo aos 82,3 anos em 2045, com pequenos ganhos em 2026, devido aos avanços na medicina preventiva. Registar-se-á um aumento na incidência de cancro nos menores de 40 anos e o crescimento no uso dos GLP-1 para a obesidade.
Já os europeus pretendem sistemas de saúde mais resilientes e personalizados, com maior ênfase na prevenção das doenças crónicas, na integração dos dados de saúde, para cuidados de saúde interligados e a expansão do acesso a cuidados de saúde mental. Desejam ambientes urbanos mais saudáveis, e a adopção prática da IA para aliviar a carga administrativa e melhorar a vida dos doentes. O envelhecimento populacional e a escassez de profissionais colocarão uma pressão extra no Sistema, levando a estratégias de retenção e à externalização. A IA prevê-se que crescerá de 17% para 37% em 2 anos. A evolução previsível aponta para uma maior integração dos dados clínicos e digitais, e mais iniciativas na área da saúde mental. A Despesa com a Saúde (em % do PIB), estimada em cerca de 9,3% nos países da OCDE (em 2024), terá uma tendência estável ou um ligeiro aumento na UE em 2026, próxima dos 10%. A Esperança de Vida ao Nascer aumentará cerca de 0,5-1 ano em 2026. Prevê-se também o aumento na incidência de cancro em menores de 40 anos e do consumo dos GLP-1.
Já a população portuguesa espera que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) seja mais eficiente e acessível, que haja uma redução significativa das listas de espera para consultas e cirurgias, um maior investimento na prevenção de doenças crónicas e uma integração efectiva entre cuidados primários e hospitalares. Todos desejamos maior equidade no acesso aos cuidados de saúde, em particular na saúde mental e na vacinação sazonal, e a aposta em políticas que promovam uma longevidade saudável e a redução do desperdício. Pretende-se que o orçamento priorize a sustentabilidade do SNS, com aumentos reais na despesa pública (alinhando Portugal com as médias da OCDE), e uma melhoria na qualidade de vida, especialmente dos idosos. O orçamento para a saúde de 17,3 mil milhões de euros em 2026, representa um aumento nominal de 2,7%, mas são preocupantes os cortes em áreas, como a dos medicamentos e do material clínico (mais de 200 milhões de euros). As transferências para o SNS subirão 2,6%, mas há dúvidas sobre a sustentabilidade, pois o défice previsto para 2025 pode levar a medidas de austeridade. A manutenção das elevadas taxas de vacinação é viável, mas o crescimento orçamental limitado (1,5% face a 2025) e a despesa pública em saúde abaixo das médias da OCDE só permitem progressos moderados. Espera-se em Portugal que 2026 traga um aumento no número de consultas e cirurgias, e uma aposta em campanhas de vacinação, contra a gripe, o COVID-19 e o VSR, e a implementação de medidas para reduzir o desperdício. A despesa com a Saúde (em % do PIB) deve permanecer abaixo das médias da OCDE, cerca de 9,5% em 2026, com um crescimento nominal limitado face à inflação e ao PIB estimado em 2,1%. A Despesa Efetiva Consolidada na Saúde, estimada em 17.236 milhões de euros, representa um aumento de 2,7% face a 2025, mas com uma redução nos bens e serviços. A Esperança de Vida Saudável após os 65 Anos deverá ter um aumento moderado, com uma melhoria no índice de anos saudáveis, contribuindo para uma esperança de vida à nascença próxima dos 82 anos.
Nos Açores, a população ambiciona um sector da saúde mais próximo e humanista, com redução da dependência das evacuações inter-ilhas e um maior investimento nas infraestruturas. A necessidade de programas comunitários de saúde mental, e de prevenção dos comportamentos aditivos, com mecanismos que melhorem o acesso, e uma maior integração entre a saúde e a economia social, promovendo a qualidade de vida em contexto insular, marcarão 2026. É muito positivo o facto do orçamento incluir aumentos nas diárias para saúde mental e comportamentos aditivos, e a criação de carreiras específicas como a de médico dentista. O orçamento, no que toca à saúde, equilibra responsabilidade financeira com a redução do endividamento, limitando expansões radicais. A saúde, ainda que priorizada, está condicionada pelas tensões orçamentais regionais. Espera-se em 2026 uma maior agilidade no sistema açoriano, focada na proximidade aos utentes e na prevenção, integrando o Plano Regional de Saúde com investimentos em outros sectores da governação.
Em resumo, em 2026 as esperanças do mundo, na Saúde, centram-se nas inovações na área da prevenção e na acessibilidade, com as realidades a imporem pequenos progressos, devido aos custos e à escassez de recursos humanos.

As figuras em Destaque em 2026: Robert F. Kennedy Jr., Hans Kluge e Andrea Ammon

Em 2026, a Saúde Pública continuará a ser influenciada por líderes que moldam políticas, respondem a desafios globais e promovem inovações.
Nos EUA, a Saúde Pública em 2026 será marcada pela influência da administração Trump. Robert F. Kennedy Jr., Secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), prevê-se que seja a figura central, promovendo iniciativas como o “Make America Healthy Again” (MAHA), focado na redução da obesidade e na revisão das políticas vacinais.
Na Europa, as figuras em destaque em 2026 estarão ligadas à União Europeia (UE) e à Organização Mundial da Saúde (OMS). Hans Kluge, Diretor Regional da OMS para a Europa, continuará a ser uma figura-chave, liderando os esforços na saúde pública, incluindo a preparação para vírus respiratórios e a promoção de equidade em saúde. Já Andrea Ammon, Diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), terá um papel preponderante nas questões da vigilância epidemiológica e na resposta às ameaças infecciosas.
Daqui a 1 ano aqui estaremos para fazer o balanço do “deve” e do “haver”. Um fantástico 2026, para todos os leitores do Diário dos Açores!

Mário Freitas*

* Médico de Saúde Pública e de Medicina do Trabalho

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