O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL- Açores), através de comunicado, veio denunciar o que diz ser “a gritante disparidade de prioridades políticas na gestão da segurança pública em Portugal.
Diz aquela estrutura sindical que “enquanto o território continental beneficia de reforços musculados, os Açores enfrentam um défice crónico de efetivos que compromete a operacionalidade básica e a segurança das populações. O abismo entre o continente e a Região Autónoma é hoje mais evidente do que nunca”. E exemplifica: “Recentemente, a Câmara Municipal do Porto anunciou o reforço de 80 novos agentes para a sua Polícia Municipal — uma promessa eleitoral. Simultaneamente, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, recebeu um contingente extra de 80 polícias da PSP para gerir fluxos de passageiros. Em contraste, nos Açores, os anúncios políticos não passam de intenções sem qualquer tipo de concretização. Apesar dos apelos transversais de todo o
espetro político por um “reforço imediato”, a Região contínua remetida ao esquecimento estrutural. Os números preocupam, a realidade no terreno é crítica.
Diz o SINAPOL que o contingente regional representa apenas cerca de 5% do efetivo total da PSP, pelo que “as esquadras estão a operar no limite da exaustão, dificultando a fiscalização rodoviária e o policiamento de visibilidade. Embora o esforço dos agentes tenha permitido operações de sucesso em 2025, a falta de meios humanos torna a prevenção rodoviária e criminal insustentável
a longo prazo”.
O SINAPOL- Açores questiona por que razão a agilidade política demonstrada para resolver filas em aeroportos ou reforçar autarquias no continente não se aplica à continuidade territorial.
“A segurança é um direito fundamental, quer se viva na Avenida dos Aliados ou na Ilha do Corvo. Ignorar a urgência de preencher as vagas no Comando Regional dos Açores é aceitar que existem cidadãos de primeira e de segunda no acesso à proteção do Estado”, afirma o sindicato no mesmo comunicado.
Para este novo ano, diz o SINAPOL-Açores, não se reclamam privilégios, mas equidade: “ É imperativo que a “prioridade política” do Governo não se esgote nas fronteiras geográficas do continente. A segurança dos açorianos não pode continuar a ser sacrificada em nome de conveniências políticas de grandes centros urbanos”, conclui.
