O Bloco de Esquerda/Açores afirma que a EDA terá tido perdas de 7 milhões de euros em apenas 8 meses devido a custos não aceites pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos com a aquisição de combustível à BENCOM para produção de eletricidade e que, em troca de correspondência com a ERSE, a EDA assume que esta situação “coloca em causa, o equilíbrio económico financeiro da empresa”.
Na base da afirmação, conforme comunicado do partido, “estas informações foram reveladas pelo Governo Regional em resposta a um requerimento do Bloco de Esquerda. As perdas de 7 milhões de euros devem-se a um contrato por ajuste direto assinado em setembro de 2024 entre a EDA e a BENCOM para o fornecimento de fuelóleo, um combustível fóssil altamente poluente que garante a produção da maior parte da energia elétrica nos Açores”.
Mais é dito que “Na troca de correspondência entre a EDA e a ERSE, fica claro que a EDA estimava os custos não aceites em 5,1 milhões de euros. Nessa altura a EDA, também na troca de correspondência com a ERSE, já assumia que a situação causada pelos custos não aceites era preocupante e que “coloca em causa, o equilíbrio económico financeiro da empresa”
Assim, vincam os bloquistas, no seguimento deste ajuste direto, “a EDA lançou novo concurso público internacional que voltou a ficar deserto, que cumpria os critérios do regulador, não tendo a BENCOM ou outros fornecedoresconcorrido ao mesmo. No seguimento deste segundo concurso deserto, a EDA adjudicou novamente à BENCOM o fornecimento de fuelóleo por 6 meses, por 64,5 milhões de euros.
O Bloco de Esquerda considera que esta situação demonstra que a Região vive “sob o jugo de um monopólio privado que utiliza a sua posição dominante para obter lucros obscenos à custa dos contribuintes que pagam as compensações atribuídas pela ERSE à EDA.
O BE, que considera que esta situação apenas se mantém pela conivência do Governo Regional que “não mexe uma palha” para criar alternativas ao fuelóleo na produção de electricidade, é agravada pelo facto de o Brupo Bensaude, onde se insere a BENCOM, ser o principal accionista privado da EDA, “o que configura um claro conflito de interesses”.