São Miguel, a maior ilha dos Açores, tem vindo a afirmar-se, nos últimos anos, como um destino turístico cada vez mais qualificado. O investimento em novas unidades hoteleiras, o crescimento do alojamento local e a evolução muito positiva da restauração refletem o empenho de empresários, trabalhadores e comunidades locais que acreditam no futuro da ilha. Hoje, São Miguel apresenta-se mais preparada, mais cuidada e mais confiante na forma como recebe quem a visita.
A natureza exuberante, as lagoas, as termas, os trilhos, a gastronomia e a autenticidade cultural continuam a ser os grandes pilares da atratividade da ilha. Estes fatores, aliados a uma crescente profissionalização do setor turístico, colocam São Miguel numa posição privilegiada para crescer de forma equilibrada e sustentável.
É precisamente neste contexto positivo que se torna pertinente refletir sobre um dos principais desafios ao desenvolvimento da ilha: a acessibilidade. Chegar a São Miguel, seja por via aérea ou marítima, continua a ser um fator determinante para o seu crescimento. Não como crítica, mas como oportunidade de melhoria. A irregularidade das ligações ao longo do ano e a forte dependência da época alta condicionam a plena utilização da capacidade instalada e acentuam a sazonalidade.
A experiência de outros destinos atlânticos próximos mostra que uma aposta consistente na acessibilidade, combinada com uma promoção turística bem orientada, contribui para taxas de ocupação mais estáveis, maior previsibilidade para o setor e uma distribuição mais equilibrada dos visitantes ao longo dos doze meses. Essa estabilidade traduz-se em benefícios claros para as economias locais e para a qualidade de vida das populações.
São Miguel encontra-se ainda longe da sua capacidade máxima de acolhimento. Existe margem para crescer, desde que esse crescimento seja acompanhado por políticas públicas que promovam o destino de forma sustentável. Melhorar a acessibilidade deve caminhar lado a lado com uma promoção turística mais estratégica, orientada para mercados que valorizem a experiência, permaneçam mais tempo e contribuam de forma significativa para a economia local.
Os ganhos desta abordagem são transversais. Uma maior taxa de ocupação ao longo do ano permite às empresas planear melhor, investir com maior segurança e promover emprego mais estável. A redução da sazonalidade beneficia trabalhadores, famílias e a economia da ilha como um todo, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
Importa ainda sublinhar que os bons resultados alcançados em São Miguel têm um impacto positivo em todo o arquipélago. Enquanto principal porta de entrada dos Açores, uma ilha mais acessível e com maior estabilidade turística cria condições para reforçar as ligações inter-ilhas e incentivar os visitantes a descobrir outras ilhas, promovendo uma distribuição mais equilibrada dos benefícios do turismo.
Este artigo não pretende apontar falhas, mas antes convidar à reflexão. São Miguel já demonstrou ter qualidade, identidade e capacidade. Com políticas públicas que reforcem a acessibilidade e uma promoção turística alinhada com princípios de sustentabilidade económica, social e ambiental, o destino pode evoluir de forma ainda mais consistente.
Quando o crescimento é pensado de forma integrada e responsável, todos ganham: o setor turístico, os trabalhadores, as comunidades locais e o conjunto da Região Autónoma dos Açores. São Miguel tem muito para oferecer. Cabe-nos continuar a construir, em conjunto, os caminhos que permitam valorizar esse potencial.
Aproveito ainda para desejar um feliz e próspero Ano Novo a todos os açorianos e a todos quantos nos visitam, com votos de que o ano seja marcado por desenvolvimento equilibrado e confiança no futuro da nossa Região.
Pedro Anglin