“Fica a pergunta: como posso acreditar em candidatos, que apenas para terem o “tacho e penacho” de Presidente da República, vão solicitar apoios destes, que não têm consciência do seu passado político.”
Iniciou-se oficialmente a campanha eleitoral para as eleições presidenciais deste ano, há cerca de uma dezena de dias, ocorrendo o ato no próximo dia 18, de acordo com um calendário que definiu datas para os diversos concorrentes apresentarem/exporem as suas pretensões e como concretizarão a presidência ao ocupar o mais alto cargo da magistratura da Nação.
Marques Mendes (MM) com notória tendência para puxar a brasa para a “sardinha” do partido social democrático, foi encaputadamente, de todos os concorrentes, o que começou a posicionar-se eleitoralmente mais cedo com presença semanal.
MM copiou a metodologia de trabalho de Rebelo de Sousa, apresentando-se aos portugueses (aqueles que o queriam ouvir no seu aflautado vozeirão) como profundo conhecedor dos multi problemas nacionais (através do convívio com decisores político) e internacionais. Poucas vezes adiantando como os resolver ou algo de válido que se conseguisse considerar, ainda que com muito esforço, como válido.
Mas lá foi “debatendo sozinho”, invariavelmente com algum pivot televisivo, os quais lhe apresentavam assuntos previamente acordados – como bastas vezes se depreendeu – tentando assemelhar-se ao “marcelito”, numa cópia menor de intelectualidade do seu então famoso mentor.
Antevia-se, para ele, uma corrida com probabilidade de ser facilmente ganha! Surge no entanto, como opositor a MM e após um período de “ainda sou marinheiro, deste velho submarino”, passando da dúvida “não sou, sou” a outras, o almirante que – conflituando com os marinheiros do navio Mondego e tropeçando nas escadas de acesso ao mesmo, perante as câmaras de televisão – se mostrou disponível a candidatar-se, com superiores pretensões, num favor que nos fazia.
Era o almirante “sem medo” que em “pleno mar-alto e no meio de uma enorme tempestade pandémica” enfiado num submarino, conseguiu dobrar a COVID 19 e trazer a bom porto os portugueses, fazendo aquilo que mais ninguém, dos então dez milhões de portugueses, tinha conseguido. Após os acontecimentos deu a sensação que tinha trabalhado sozinho, pelos elogios e condecorações, sendo o resto do seu operacional staff militar pura e simplesmente esquecido.
Até o pessoal ligado à saúde foi relegado comparativamente para segundo plano, como se não fossem deles as ações fundamentais que ocorreram, com sacrifício, nas unidades hospitalares.
E o povo, quando soube da decisão do “almirante vacinador”, assumiu ter surgido um personagem equivalente ao “general sem medo” – que enfrentou Salazar e por tal morreu – tendo a percentagem de intenções de voto lhe sido favorável, mesmo faltando meses para o ato eleitoral.
Posteriormente surgiram outros potenciais candidatos. Alguns, pelo menos três, depois de dizerem ao que vinham, desapareceram tão depressa como surgiram, mas ficaram para eternidade com direito a nome e foto no boletim de voto, potenciando confusões desnecessárias. Outros candidatos, mais persistentes, foram ficando e durante algum tempo criaram uma imagem própria a consolidar, durante o período oficial de campanha.
No total e para o debate inicial, desta eleição, ficaram onze candidatos. Dos “onze magníficos”, na “mesa horizontal” televisiva, cinco dos candidatos “jogaram” na primeira liga eleitoral à presidência, separados dos restantes seis da liga secundária. Estes últimos assemelhavam-se a algo que obrigatoriamente tinha de estar ali presente, quase aceitando-se “piedosamente” as presenças.
Todos num debate – embora divididos pela respetiva “liga” eleitoral – que pareceu uma “peixeirada”, a qual fez inveja a quaisquer tradicional discussão entre peixeiras, discutindo entre si assuntos pessoais, sobre empregos/rendimentos, empresas, ilegalidades e respetivos apoios, por vezes em voz demasiado elevada, como se de um pregão se tratasse, e com palavras não muito próprias de “respeitáveis” candidatos a presidente do país. O debate comprovou a necessidade, já demonstrada anteriormente, que alguns dos mais “potenciados” concorrentes tinham de identificarem apoios “super políticos” mas fora dos usuais participantes em arruadas, reuniões ou comícios.
Exemplo disso foi o candidato da Iniciativa Liberal, que para além de almoçar com Passos Coelho, incrivelmente lhe terá pedido apoio (recusado). MM fez tudo para ter o apoio do “barão dos barões” do partido, de seu nome Cavaco Silva, pretendendo arrastar a AD para o seu lado. Ventura, esse permaneceu “agarrado” aos votos dos seus apoiantes, assumindo a propriedade de cerca de um 1,4 milhões de votantes. Todos os candidatos no centro-direita, de um modo geral e descarado, mostraram não ter esquecido Sá Carneiro, pretendendo avalizar as suas ações.
Por seu turno, Seguro conseguiu que os partidários e votantes socialistas torcessem a orelha por não o apoiarem desde o inicio da campanha e após de modo calmo e lúcido ter mostrado ao que vinha. Agora, através do secretário geral do partido, eles aí estão prontos para o futuro.
Mas MM, quanto a mim, falhou sobremaneira no “apoio”! De seu nome Cavaco Silva, que entre primeiro ministro e presidente da República teve 20 anos de mandatos, cometeu erros políticos de que nunca se conseguirá dissociar e que como lapa se colaram a MM.
A primeira situação foi quando concedeu, a dois ex-membros da polícia politica de Salazar ( de seus nomes Augusto Bernardo e Óscar Cardoso) pensões vitalícia por “serviços excecionais e relevantes prestados à Nação”(sic), negando o mesmo a Salgueiro Maia após parecer e proposta favorável do então Procurador Geral da República.
Igualmente, em outubro de 1987, numa entrevista à RTP afirmou, enquanto político no ativo, que na Bolsa de Valores se estava a “vender gato por lebre”, criando abruptamente no dia seguinte uma enorme queda dos valores das ações – o celebre Black Monday – levando milhares e milhares de portugueses à “falência” pessoal/familiar, devido a empréstimos que entretanto contraíram na banca. Em consequência a Bolsa de Valores encerrou e teve anos sem atividade, com as inerentes consequências para a situação económica e financeira portuguesa.
Ou mesmo quando perante a comunicação social, falando da sua vida familiar, afirmou que “quase de certeza o que ia receber” de pensões não chegaria para pagar as suas despesas pessoais/familiares. Sem se lembrar que somando as pensões do BP e CGA, segundo dados oficiais de 2009, recebeu 140 mil euros (1300 euros da CGA e 8700 euros do BP mensais). Como PR recebia, na altura destas afirmações, por mês e para despesas de representação mais 2900 euros.
Como curiosidade o salário mínimo nacional mensal era, em 2009, de 450 euros ( 5% do valor mensal do somatório das ditas pensões), ganhando um licenciado na altura, em inicio de carreira 989 e no fim da mesma (4° escalão) 1475 euros por mês. Em conclusão, quase a totalidade dos portugueses ganhavam miseravelmente (pelos vistos um hábito do passado) e cujo o “montante não chegava para pagar as despesas mensais”.
Fica a pergunta: como posso acreditar em candidatos, que apenas para terem o “tacho e penacho” de Presidente da República, vão solicitar apoios destes, que não têm consciência do seu passado político. Também Montenegro apelou a que políticos e militantes do partido apoiem/votem em MM. Dá, decididamente, um grande jeito político que tanto o PR como o PM sejam da mesma cor partidária. Menos hipóteses de conflitos institucionais.
Sinceramente, MM’s só conheço as drageias coloridas de chocolate que são muitíssimo saborosas.
J. Rosa Nunes
Prof. Doutor