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Peixe do meu quintal

Açores – Gronelândia

Há muito que a ordem mundial se deixou levar pela chefia dos EUA na instalação de sistemas políticos dominantes, a que os americanos chamam “democracias ocidentais”. A América comandava e o resto seguia-lhe os passos. Tem sido assim desde os finais de 1945. E isto porque a entrada dos EUA na guerra foi vital para a vitória contra o nazismo. E de seguida, a nação americana foi o guia no combate às pretensões de alargamento da ditadura comunista soviética do pós-guerra, depois da União Soviética (URSS) ter ocupado alguns países da Europa e mostrar apetite pela continuidade de tal política em todo o planeta. Um dos últimos exemplos dessa expansão ditatorial foi Portugal em 1975. O Ocidente vive nestes sistemas democráticos devido à participação global americana em toda a segunda metade do século XX e primeiro quartel do XXI. Nem a Europa, destruída, calcinada e dilacerada pela guerra, tinha forças e recursos para se levantar sozinha. “O Plano Marshall (conhecido oficialmente como Programa de Recuperação Europeia) foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. A iniciativa recebeu o nome do Secretário de Estado dos Estados Unidos, George Marshall.”
Esta ajuda foi de cerca de 13 mil milhões de dólares – cerca de 140 mil milhões de euros nos dias de hoje (valor ajustado pela inflação).
À medida que os EUA defendiam como podiam a Europa a ocidente, a União Soviética lançava sementes de guerra em várias frentes no mundo, fazendo endurecer a defesa americana e obrigando as duas partes a dividirem o mundo entre si nos interesses a explorar.
Os Açores já estão na mente da equipa de Donald Trump. Simplesmente, tudo tem o seu tempo…! Mas isso não é drama, já que a Inglaterra quando disse que ia construir uma base em Santa Maria, não pediu a Salazar – fê-lo simplesmente e Salazar teve que engolir em seco. O mesmo se passou com os americanos nas Lages. Portugal não tem qualquer força contraditória a pretensões estratégicas dos maiores. A lei da força continua a imperar. Quando a União Soviética caiu, o seu lugar no Conselho de Segurança da ONU deveria ter sido substituído por outro membro que não a Rússia (a India ou o Brasil, por exemplo). Mas automaticamente atribuíram a Moscovo o lugar vago.
A cobiça nas Ilhas Açorianas por vários povos, desde os Fenícios (1,500 aC) é histórica e nos tempos nevrálgicos que se vivem, essa cobiça tornou-se viral.
Foi nesta perspetiva que os aliados olharam no pós-guerra para os Açores. Bases e aeroportos no meio do Atlântico Norte. Os Açores passaram a ser, nos tempos modernos, a defesa, a fronteira natural, o porta-aviões permanente, o autêntico cavalo-de-Troia de todo o Ocidente, a placa giratória do Oceano Atlântico, a derradeira defesa contra a expansão comunista. Os portões intransponíveis da Atlântida.
As pretensões de Donald Trump sobre a maior ilha do mundo, Gronelândia, não são inteiramente gratuitas nem vazias de contexto. A Dinamarca é um minúsculo país que no passado recente não dava atenção à sua gigante colónia, até que esta reclamou desse abandono.
“Após uma ausência de população nórdica – entre os séculos XV e XVIII – a Dinamarca declarou a Gronelândia como colónia da coroa dinamarquesa e encetou então uma nova ocupação e colonização da ilha. Em 1921, a Dinamarca proclamou a soberania sobre toda a Gronelândia. Em 1953, a Gronelândia deixou de ser colónia e passou a fazer parte da Dinamarca. Em 1979, passou a ser uma região autónoma do Reino da Dinamarca. Em 2008, uma maioria dos gronelandeses votou a favor da independência, tendo então aumentado a sua autonomia regional e ficado reconhecido o direito dos Gronelandeses à independência, quando o quisessem.” (Wikipédia)
Esta apetência pela Gronelândia é estratégica por um lado e financeira para todos os lados.
Os seus habitantes protestam o abandono de que são vítimas pelo poder centralista de Copenhaga. Já votaram em 2008 pela independência. E Trump quer ter a certeza de que Moscovo ou Pequim não agarram a oportunidade… e não deixa de ser inteiramente verdade, tanto para a Gronelândia como para todo o Oceano Atlântico Norte, incluindo os Açores.
Nos Açores estamos igualmente cansados do menosprezo dado por Lisboa. E Donald Trump está bem a par de toda esta agenda.
José Soares

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