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Annus Horribilis

“Até agora foi e continuará a ser um péssimo presidente dos Estados Unidos da América, superiormente incompetente relativamente ao presidente que foi no seu mandato de 2017, como 45° responsável de um grande país que no último ano passou simplesmente para uma posição abaixo de medíocre.”

Faz hoje, dia 20 de janeiro, precisamente um ano desde que Donald Trump foi empossado como o 47° presidente eleito dos Estados Unidos da América após ter ocupado o 45° mandato, por quatro anos no período iniciado em 20 janeiro 2017.
O facto de ter sido presidente num quadriénio anterior ao atual fez-lhe assumir ser alguém que verdadeiramente fazia falta à politica americana, nomeadamente para uma parte dos membros do partido republicano, tendo por objetivo ocupar a presidência americana.
Alguns norte americanos viram nele alguém que, após uma campanha para exibir-se como o “master mind” americano, foi chamando invariavelmente nomes menos próprios aos seus adversários ou apoiantes dos mesmos, mostrando ser rude, prepotente, homofóbico, mentiroso, mau perdedor, mas principalmente um comerciante sem escrúpulos que, apenas sendo um conhecedor muito superficial da politica americana ou internacional, “fez, desfez e tornou a fazer” de tudo e de todos o que muito bem lhe apeteceu, tendo-se rodeado de outros cidadãos em tudo semelhantes a ele, mas que para seu bem próprio não “levantaram ondas” e a tudo diziam “yes”.
No entretanto e à medida que os (maus) serviços, muito bem pagos, destes “incompetentes oportunistas” se mostraram ser desnecessários (ou menos necessários), Trump o auto intitulado “rei omnipotente” norte americano, vai enviando as respetivas cartas de alforria (porque verdadeiramente de escravos se trataram) e mandando-os para bem longe.
Até agora foi e continuará a ser um péssimo presidente dos Estados Unidos da América, superiormente incompetente relativamente ao presidente que foi no seu mandato de 2017, como 45° responsável de um grande país que no último ano passou simplesmente para uma posição abaixo de medíocre.
Muitas foram as promessas iniciais, mas duas das mais importantes foram acabar com as guerras em Gaza e na Ucrânia, no espaço de cem dias. Aproveitou para “palrar”, qual papagaio velho, como alguém a quem foram incutidas ideias mal concebidas, mas que ele tentou vivamente demonstrar como suas.
Assumo que Trump não tenha neurónios suficientes, debaixo do seu horrível e único capacho louro, para ter ideias concretas e/ou consistentes que valessem ou valham ser admitidas como válidas. Como se rodeou, na sua grande maioria por negociantes incompetentes e oportunistas (em tudo parecidos com ele), sem o mínimo conhecimento político nacional ou internacional, o resultado da sua ação politica é perfeitamente incoerente, funcionando como um ió-ió de afirmações/decisões para “cima” e quase de imediato para “baixo”.
De referir que perante algumas afirmações/decisões, todos os potenciais abrangidos nacionalmente e internacionalmente, ficam expetantes no sentido de saber qual o número de minutos/horas, o “rei mono”, levará para afirmar, sem nenhuma vergonha na cara, o contrário. Assumo que para além dele próprio, ninguém, nem mesmo os membros do partido republicano, o levam a sério. Nenhum dos membros do seu partido, de modo nenhum, quer perder este “fertilizante” das suas cada vez mais significativas riquezas pessoais. Daí, em grande parte o apoio político.
Entre apoiar a Ucrânia e inevitavelmente a Europa, com armas ou sem armas ou mesmo com armas compradas à América; dando apoio à Nato ou mesmo ameaçando sair da mesma ou “fustigando” monetariamente e de modo exigente os restantes países da organização; apresentando-se na muito debilitada ONU e discursando como “o senhor disto tudo”; apoiando Netanyahu em dinheiro e/ou armamento e prometendo, numa demonstração plena da sua atividade imobiliária, uma Riviera em Gaza, mas sendo enganado sucessivamente pelas decisões bélicas de Netanyahu; suportando a sua enorme amizade a Putin, afirmando fazer/receber numerosos telefonemas e que tudo se estava presteza resolver e continuando a ser ludibriado; atacando a Venezuela para prender Maduro, mas sem hipóteses de acabar com o regime, beneficiado das riquezas de subsolo – nomeadamente petróleo – numa verdadeira demonstração de usurpador comercial e não de um político.
Ao longo do tempo aplica taxas sobre importações/exportações com valores exorbitantes a numerosos países, baixando-as de seguida para numa oportunidade a seguir reafirmar o seu aumento.
Espírito fraco que assumia ir receber o prémio Nobel da Paz, afirmando ter acabado com 8 ½ guerras ( ninguém consegue identificar a meia guerra que refere), simplesmente consegue receber de “oferta” a medalha do prémio. Segundo Trump, Corina Machado presenteou-o com “o seu prémio pelo trabalho que eu fiz. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo”.
Corina Machado aguarda agora a oferta de apoio de Trump para ocupar a presidência da Venezuela, foi uma verdadeira “venda da sua alma ao diabo” e de certeza será castigada pelo voto dos venezuelanos. O próprio instituto Nobel da Noruega salienta que Trump não possuí qualquer prémio dado que “uma vez anunciado, o prémio não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”.
A ambição desmedida de Trump para ter o prémio Nobel da Paz, as suas afirmações e aquilo que se passou com a oferta de Corina Machado leva-me a assumir que o comité nunca o atribuirá, por uma questão de princípio, a este presidente “troca tintas” por mais guerras que ele assuma ter resolvido.
A última de muitas decisões tornada pública por Trump refere-se ao por ele denominado “Conselho de Paz”, uma nova organização internacional, na perspetiva de no futuro substituir a ONU. Com este objetivo pede a cada um dos países interessados em participar o valor de mil milhões de dólares, auto nomeando-se Trump o seu presidente, ficando com poderes para decidir quem convida, quem permanece, o valor dos fundos e – imagine-se o nível democrático deste organismo – o próprio sentido de voto. Um presidente com decisão única.
O fim do organismo, segundo Trump, é “assegurar uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”, a “favorecer a estabilidade” e “restaurar uma governação confiável e legal”, enfim…tudo aquilo que Trump nunca conseguiu ser enquanto presidente dos Estados Unidos da América no primeiro e no presente mandato.
Daqui a um ano Trump terá as eleições intercalares – midterm elections, em 3 novembro próximo – com as sondagens no atual momento a apontarem que cerca de 80% dos eleitores a não aprovarem as decisões do presidente, quer interna quer externamente, nomeadamente muitos republicanos. Neste ato eleitoral serão votados todos os lugares da câmara dos representantes, 1/3 dos lugares do senado e 36 lugares de governadores de alguns estados.
Será a altura de concretizar, através do resultados destas eleições, um balanço do desempenho do trabalho político, do presidente Trump e da sua administração, o que poderá condicionar toda a governação futura nos dois anos finais do mandato. Sinceramente, antevejo que Trump tente ainda demonstrar não serem oportunas as eleições intercalares, argumentando que os Estados Unidos da América se encontram em guerra. Nem que para isso tenha de atacar o Irão ou mais algum dos país sul-americano ou Gronelândia, que tanto ameaça.

J. Rosa Nunes
Prof. Doutor

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