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Saúde (do) Pública(o) (54)

Gripe, por todo o lado, e os avanços no combate ao cancro

Principais Temas de Saúde nos EUA, na Europa, em Portugal e nos Açores, desde 1 de Janeiro de 2026

Nos EUA, o início de 2026 tem sido dominado por uma época de gripe particularmente severa, agravada por uma nova variante do vírus influenza, conhecida como subclade K. De acordo com o “Centers for Disease Control and Prevention” (CDC), estima-se que já ocorreram pelo menos 15 milhões de casos, 180 mil hospitalizações e 7.400 mortes desde o Outono de 2025, incluindo 17 óbitos em crianças. A actividade gripal permanece elevada em todo o país, e o pico pode ainda não ter sido atingido. Crianças e adolescentes têm sido especialmente afectados, com taxas de hospitalização das mais altas, dos últimos 15 anos.
Além da gripe, aumentam as preocupações com as doenças infecciosas preveníveis por vacinação, como o sarampo e a poliomielite, devido às mudanças políticas no calendário vacinal infantil. Robert F. Kennedy Jr., à frente do “Departamento de Saúde e Serviços Humanos”, implementou alterações que enfraquecem as recomendações para a vacinação contra a gripe e a hepatite B, aumentando a “dúvida vacinal” nos cidadãos. Os EUA correm o risco de perder o estatuto de país livre de sarampo, com surtos contínuos em vários Estados. Por outro lado, dados da “American Cancer Society” indicam que as taxas de sobrevivência a 5 anos para todos os cancros atingiram 70%, graças aos avanços no diagnóstico precoce e nos tratamentos. No entanto, a resistência antimicrobiana aponta para um ano desafiante.
Também a Europa enfrenta uma epidemia de gripe, que começou cerca de 4 semanas mais cedo do que nos anos anteriores, com o subclade K a dominar, com até 90% dos casos confirmados. O “European Centre for Disease Prevention and Control” (ECDC) e a “Organização Mundial da Saúde” (OMS) reportam alta actividade gripal em pelo menos 27 países da região europeia da OMS, com sobrecarga nos serviços de urgência. As crianças entre os 5 e os 14 anos são as mais afectadas, mas os idosos representam a maioria das hospitalizações. Estima-se em cerca de 27.600 as mortes associadas à gripe na União Europeia (UE).
Há uma estabilização nas taxas de mortalidade por cancro do pulmão nas mulheres na UE, excepto em Espanha, onde continua a subir, associada ao tabagismo.
Em Portugal, o acesso aos cuidados de saúde continua a deteriorar-se, com barreiras acima dos níveis pré-pandémicos, atingindo sobretudo populações vulneráveis. Um estudo da “Nova School of Business and Economics” revela que 45,5% dos inquiridos reportaram pelo menos 1 episódio de doença em 2025, com aumento significativo nos jovens (15-29 anos). Há um maior recurso ao sector privado e menor ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), agravado pelas desigualdades socioeconómicas.
O país regista um excesso de mortalidade desde a primeira semana de Dezembro de 2025, 22% acima do esperado, possivelmente ligado à epidemia de gripe (1.340 casos na primeira semana de janeiro) e às temperaturas baixas. Nas eleições presidenciais os candidatos defenderam um maior investimento no SNS e criticaram a transferência de fundos para os privados.
Como região autónoma, os Açores partilham muitos dos desafios nacionais, mas enfrentam questões específicas. Destaco as Teleconsultas, que aumentaram para 19.969 em 2025, alterando assim os padrões de procura nas unidades de saúde; destaco também o facto do Conselho de Governo ter renovado os apoios aos passageiros residentes, facilitando assim o acesso aos cuidados fora das ilhas de residência.
Em resumo, nestes primeiros dias de 2026, a gripe destaca-se como ameaça global, agravada pelas novas variantes. É essencial monitorizar tendências, promover a vacinação e os investimentos em saúde pública, a fim de mitigar os impactos.

Figuras em Destaque na Saúde Pública, neste ano de 2026

Desde o início de 2026, várias figuras têm ganho relevo no campo da saúde pública, em diferentes regiões do globo. Destaco duas, dos EUA, pelo seu trabalho, com resultados evidentes:
William Dahut, Diretor Científico da American Cancer Society (ACS), pelos dados recentes que mostram uma taxa de sobrevivência (a 5 anos), para todos os cancros, de 70%.
Mandy Cohen, Directora do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que mesmo sob escrutínio intenso continua a supervisionar os relatórios sobre a temporada de gripe e a vigilância de doenças infecciosas, incluindo alertas para os surtos de sarampo, via monitorização de águas residuais.
Dois bons exemplos, dois profissionais de excelência.

Mário Freitas*

* Médico de Saúde Pública e de Medicina do Trabalho

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