Presentes Envenenados
A hipocrisia é como a nata; vem à tona quando o leite ferve.
Com a fervedura da segunda volta das presidenciais, já aparecem os beija-cús. Os oportunistas, os parasitas, os bajuladores e os judas. De tudo vamos ver daqui até ao oito de fevereiro.
No início, alguns velhos do restelo do Partido Socialista – Augusto Santos Silva e outros, rejeitaram o Tosé Seguro como candidato oficial à presidência da República, por “não reunir as condições mínimas para o cargo”. Agora vão ter que engolir o enorme sapo que vomitaram. Enganaram-se redondamente e ficou provado, mais uma vez, a qualidade da incompetência interesseira que germina nas hostes políticas do retângulo ibérico. No caso destes velhos do restelo, abunda o mofo.
A Democracia, essa madrasta que existe para mal dos pecados de muitos, fez surgir a maior das ironias: Vão ter que votar no Tosé, afinal de contas seu correligionário leal, embora enjeitado por eles. Agora já se encostam cinicamente ao menino que abandonaram na roda do convento…
Outro erro de palmatória foi o cometido pelo PSD de Luís Montenegro, ao deixar-se arrastar pela ambição desmedida de Marques Mendes, quando este forçou o partido a escolhê-lo para candidato. Luís Montenegro não teve a coragem de contradizer a teimosia radical de Marques Mendes, para bem do país e do partido. Os interesses pessoais do sapo que queria ser boi, falaram alto e Luís Montenegro fez arrastar o PSD para uma das suas maiores derrotas de sempre. Era óbvio que Marques Mendes não podia crescer…! Todos o viram, mas Montenegro achou que os eleitores eram minúsculos demais nos seus neurónios. Mostrou incompetência na escolha imposta e perdeu ridiculamente. Quanto ao sapo… rebentou com espalhafato por todos os lados, fazendo com que todos os apoiantes metessem a cabeça na areia e rabo arriba. Até as sucursais insulares foram instruídas a responder com um silêncio sepulcral. “O País está acima dos interesses partidários” dizia Sá Carneiro, mas ninguém seguiu esta máxima.
No day after eleitoral, os enviados partidários habituais invadiram os média, tentando minimizar os flagrantes fracassos de todos eles perante a inteligência do eleitorado. Entre eles, um tal deputado Hugo Carneiro do PSD (não confundir com o carneiro do PS), que do alto do seu imaginário pedestal manteigoso, arrotou com a arrogância dos ignorantes sobre o Almirante Gouveia e Melo, referindo-o como ex-Almirante. Não sabe o deputado Hugo Carneiro que Gouveia e Melo continua a ser Almirante na reserva e não ex-Almirante?
Por fim, temos o bastardo da política portuguesa atual, André Ventura. Todos os partidos políticos, toda a imprensa, toda a instituição do conluio político o ajuda nas suas pretensões ilimitadas. Todos falam dele e lhe dão incondicional tempo de antena. E como não dar?
Ventura conseguiu uma subida vertiginosa em seis anos de existência partidária do regime político do retângulo ibérico. Quem o segura? Toda a aldeia política portuguesa está em alvoroço de pânico com a perspetiva de ter de engolir outro enorme sapo em fevereiro próximo. É uma autêntica indigestão política com tantos sapos em tão pouco tempo.
Considerei Gouveia e Melo como o melhor candidato para o atual contexto geopolítico mundial, perante o comportamento errático do sociopata Donald Trump. A Democracia reservou diferente opinião.
O que vemos em todos os quadrantes políticos, é o medo instaurado perante a perspetiva de eleição de André Ventura. Primeiro estão os interesses deles todos e, só depois os do País.
Não esquecer a Constituição Portuguesa, a qual tem de ser cumprida à risca. Alterá-la, só por dois terços do parlamento. Nenhum presidente da República tem poder para alterar a Constituição, sob pena de ser impedido e destituído ou exonerado pelo Parlamento e Tribunal Constitucional.
José Soares