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PS/Açores alerta que a pobreza não se combate com números, mas com políticas públicas estruturais

A deputada do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Inês Sá, alertou ontem que a recente descida de alguns indicadores oficiais de pobreza “não reflete, de forma honesta, a realidade vivida por muitas famílias açorianas”, sublinhando que a pobreza “não é um número estatístico, é uma experiência dura e diária para quem a vive”.
Após uma reunião com a Cáritas da Ilha do Faial, a parlamentar socialista defendeu que “leituras simplistas dos dados podem criar uma perigosa sensação de complacência política”, lembrando que os indicadores oficiais “não captam as situações mais graves de exclusão social, como pessoas em situação de sem-abrigo ou famílias marcadas pela toxicodependência, que dependem diretamente do apoio de instituições no terreno”.
A deputada do PS/Açores afirmou ainda que “o que as pessoas sentem em casa não são gráficos nem estatísticas, é o aumento do custo de vida que não para: na renda, no supermercado, na conta da luz. Quando o custo da habitação, da alimentação e dos bens essenciais sobe de forma contínua e o Governo não consegue proteger as famílias, o resultado é simples: mais pessoas a pedir ajuda.”
“A experiência concreta de quem trabalha todos os dias com estas realidades deve pesar mais nas decisões políticas do que comunicações desfasadas da realidade social sobre alegadas descidas das taxas de pobreza”, afirmou Inês Sá, acrescentando que “o aumento do custo de vida, como por exemplo, no cabaz alimentar, está a empurrar cada vez mais famílias para situações de grande fragilidade”.
Para a socialista, a incapacidade do Governo para amenizar os impactos do aumento do custo de vida está a empurrar famílias que trabalhavam e eram autónomas para situações de pobreza.“Não basta dizer que os números melhoraram, quando as instituições no terreno sentem exatamente o contrário: mais pedidos de ajuda e mais dificuldades das famílias.”
“O combate à pobreza exige políticas públicas contínuas, articuladas com a sociedade civil e assentes na realidade vivida pelas pessoas”, concluiu Inês Sá, defendendo que instituições como a Cáritas “devem ser parceiras centrais na definição das respostas sociais, porque conhecem como ninguém as dificuldades reais das famílias açorianas”.

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