A Polícia Judiciária (PJ), em articulação com a Marinha Portuguesa e a Força Aérea, realizou a maior operação de combate ao tráfico de droga de sempre em Portugal, apreendendo cerca de nove toneladas de cocaína transportadas num semissubmersível proveniente da América Latina, intercetado a 230 milhas náuticas (cerca de 426 quilómetros) dos Açores. A operação, designada “Adamastor”, decorreu em condições de extrema dificuldade e contou com a colaboração de várias entidades internacionais.
A ação iniciou-se na sexta-feira, quando meios aéreos e navais portugueses, sob coordenação da PJ, localizaram o semissubmersível em alto-mar após informações partilhadas por parceiros internacionais. A embarcação foi detetada no âmbito de uma investigação conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) e pelo Departamento de Investigação Criminal dos Açores, através do MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics), com o apoio operacional das autoridades dos Estados Unidos (DEA e JIATF-S) e do Reino Unido (NCA).
Com o auxílio da Marinha Portuguesa, que mobilizou mais de 60 militares e um vasto conjunto de meios navais, e da Força Aérea, que prestou apoio na vigilância e deslocação, o semissubmersível foi intercetado após 86 horas de operação contínua. As condições meteorológicas adversas e a fragilidade estrutural da embarcação impediram o seu reboque, levando ao seu afundamento após a apreensão da carga.
Antes do naufrágio, as autoridades conseguiram recuperar 265 fardos de cocaína, equivalentes a quase nove toneladas de droga, segundo o diretor da UNCTE, Artur Vaz, que indicou tratar-se “da maior apreensão de sempre em território nacional e uma das maiores da Europa”. Foram detidos quatro tripulantes latino-americanos — três colombianos e um venezuelano — que foram resgatados pela Marinha e entregues à PJ. Os suspeitos deverão ser presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Ponta Delgada, esta segunda-feira.
Segundo informações oficiais da PJ, o semissubmersível, que partira da América do Sul há cerca de três semanas, tinha como destino a Europa, com a carga destinada ao abastecimento de redes internacionais de tráfico. “Estamos perante uma estrutura de criminalidade altamente organizada, com capacidade logística considerável e um circuito transnacional que utiliza rotas do Atlântico para entrar no continente europeu”, explicou Artur Vaz.
A Marinha Portuguesa confirmou que a interceção foi efetuada “com meios do Sistema de Forças Navais, num esforço conjunto com a PJ e a Força Aérea, que asseguraram a vigilância aérea e marítima da embarcação até à sua abordagem”. O navio patrulha que serviu de base à operação encontra-se agora a caminho de Ponta Delgada, onde a droga apreendida será pesada e armazenada sob custódia.
A PJ sublinha que a operação decorreu “em condições de extrema perigosidade, agravadas pela agitação marítima e fragilidade da embarcação”, mas que todos os militares e inspetores “atuaram com elevado profissionalismo e coordenação”.
A investigação prossegue sob direção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca dos Açores, em colaboração com autoridades internacionais. As entidades portuguesas envolvidas — PJ, Marinha e Força Aérea — reafirmam que o sucesso da operação “demonstra a capacidade de resposta e a eficácia da cooperação interinstitucional no combate ao tráfico marítimo de estupefacientes”, uma ameaça crescente em rotas atlânticas próximas das ilhas dos Açores.
