No dia 5 de fevereiro de 2026, o Diário dos Açores faz 156 anos, um ritual que marca todos os anos uma vontade inquebrantável de renovação e uma assinalável capacidade de resiliência, características que o seu fundador, Manuel Augusto Tavares de Resende (1849-1892), deixou como legado aos seus continuadores.
Um jornal que completa 156 anos de vida, que atravessou vários regimes, períodos de paz e de guerra, vários ciclos de crescimento e de penúria, que experimentou diferentes tecnologias de produção e distribuição, e também processos diferenciados de gestão e direção, é certamente um jornal com muita história e uma testemunha preciosa da evolução da vida e dos acontecimentos mais marcantes do último século e meio, que ocorreram nos Açores, no País e no Mundo. É, assim, um precioso auxiliar da investigação política, social e económica para investigadores, estudiosos ou meros curiosos.
Não é por acaso, e apenas como exemplo, que o Diário dos Açores é uma referência e fonte de informação na exposição Universidade dos Açores: vivências da Academia, promovida pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, um evento inserido nos 50 anos da Universidade dos Açores.
Acresce que um jornal como o Diário dos Açores conta na sua história com muito serviço público de que os seus leitores podem usufruir, não só nas notícias e informações que publica, mas também no conteúdo dos artigos que os colaboradores regulares ou pontuais transmitem. Manter vivo um jornal, publicado em papel, nos dias que correm, é um ato de resistência, sobretudo quando praticado numa região insular dispersa, de pequena dimensão e afastada dos grandes centros — mesmo tratando-se de um arquipélago europeu no Atlântico Norte.
Os custos fixos são enormes, e mesmo os custos variáveis num mercado com as nossas características são mais elevados. Também os custos de distribuição, a concorrência direta e a paralela são muito fortes, e as redes sociais não têm limite. Tudo razões para que a informação regulada, transparente, com uma forte componente de serviço público, pluralista, de qualidade, e em que valores como a paz e a inclusão sejam respeitados, deva ser encarada nas sociedades democráticas como um investimento e não um custo.
Neste contexto, os meus parabéns ao Paulo Viveiros, aos trabalhadores do jornal, aos colaboradores, aos leitores e aos acionistas por manterem vivo o Diário dos Açores e, assim, prestarem este serviço aos Açores.
Gualter Furtado