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Vida dos velhos (parte 1)

A vida dos velhos é triste e monótona, mas pensando bem não mais do que quando eram novos. Toda a vida é uma escravatura mesmo para aquele que pensam serem os donos do mundo.
ABATER ESTÁTUAS DE ESCLAVAGISTAS É TAREFA FÁCIL, mudas e quedas, nem esboçam oposição. Mais difícil é apagar os atos dos esclavagistas ao longo dos séculos. Os apeadores de estátuas são pessoas de elevado grau de ignorância, mandatados por populistas. Começam por estátuas, queimam livros e exorcizam ideias, quando menos se dá conta já um novo fascismo se instalou. Os erros da História não se apagam nem se compensam. É grave julgar outras eras pelos padrões de hoje. Imaginemos o inverso e a população atual seria exterminada pela Inquisição. O que é proibido numa era seria moda noutra. Mais importante do que apelar a racismos e colonialismos envergonhados por eras passadas, era extirpar a fome, a escravatura e intolerância que grassam. Há quem afirme que nunca houve tantos escravos como agora, basta ir à Líbia ou a qualquer página de compra dos mesmos. É mais fácil apear estátuas que ideias. Ao destruir uma estátua podemos destruir o símbolo, mas os atos e consequências mantêm-se inalterados. Como estes vândalos são mais ignorantes que um primata, deviam começar pelo século XX e destruir as estátuas dos esclavagistas do povo: Hitler, Estaline, Lenine, Mao e outros. Depois devem passar ao séc. XIX e fazer o mesmo, para trás a todos os Impérios. Nenhum sobrevive sem escravos e são os escravos que os fazem grandes. Já antes dos ocidentais, havia em África mercados de escravos, fértil instrumento de troca para os ocidentais. Os corsários berberes aprisionavam homens e mulheres nas ilhas dos Açores para venderem como cativos. Devemos obliterar todos os berberes?
Retrocedendo, chegaremos ao Antigo Egito, depois da destruição de Constantinopla, da Biblioteca de Alexandria (que teria de ser destruída segunda vez), vamos destruir o Corão, a Bíblia, todos os livros sagrados de todas as religiões, todos os vestígios de escravatura até aos Sumérios e babilónios, aos Denisovan e Neandertal. Aí sim, estará a obra completa. Poderemos voltar atrás e ser símios. Que se saiba ainda não praticam a escravatura. Completado o círculo recomeçando nova civilização como símios, verão que a vossa capacidade intelectual é inferior.
A História serve para ensinar, não para ser condenada o que, aliás, nada resolve. Não apaga o passado. Ao tentar apagá-lo não corrige o presente. Cada ato aconteceu numa época, fruto da mentalidade e das normas sociais vigentes. Tudo o que fazemos hoje, é aceitável e normal, implicaria noutros tempos a ida à fogueira da Inquisição, ao cadafalso de Maria Antonieta, à pira da Joana d’Arc, ou ao canibalismo das tribos ancestrais. A ignorância que nos rodeia, monumentos a destruir e estátuas a apear, mata mais que a peste ou outra praga bíblica. Com a fórmula de politicamente correto que implantam não sobra ninguém. Um povo que não preserva o património está condenado ao olvido.
Lembrei-me das civilizações de Grécia a Roma. Entendi pontos obscuros da teoria dos multiversos e o que há de comum em toda a História. Locke é considerado “o último filósofo a justificar a escravidão absoluta e perpétua”. Defendia a escravidão, como Aristóteles, o primeiro a fazer um tratado defendendo a escravidão. Nesse tempo era comum, Locke era um homem da época, o que não diminuiria a importância das suas ideias, revolucionárias.
Mais de 2 500 pessoas todos os meses arriscam a vida na fuga à Guerra, fome, violações, escravatura, e grande parte morre afogada no Mediterrâneo, ou fica detida em campos de concentração (Ceuta, Itália, Grécia), mas a TV não está lá.
No Congo, ex-Belga, de mil e uma guerras e de um genocídio (poucos falam, seriam 10 milhões? Fora os amputados e outros) há milhares de crianças de 4 anos e mais, escravas, a trabalharem em minas a céu aberto, para produzirem minerais indispensáveis aos telemóveis que todos usamos (ex.º lítio), mas a TV não está lá.
Na Palestina a vida miserável nas pequenas faixas que Israel não anexou, não permite que uma criança tenha infância, só existe um caminho o do ódio e a Guerra contra os opressores, mas o Facebook não permite mostrar e a TV não está lá.
Na Líbia e longe do alcance das câmaras de TV há crianças, mulheres e homens a serem vendidos como escravos (menos de 20€ por cabeça), como acontecia há cinco séculos, sempre aconteceu, e a imagem abaixo ilustra (Líbia) mas também não estava lá a TV durante horas a comentar o preço de venda de seres humanos, com a corte de comentadores especializados.
Não sabemos quantos milhares de afegãos ficaram sem poderem escapar aos talibãs em agosto 2021.
O mesmo nas imagens dos aborígenes australianos em pleno séc. XX.
Nem quantos iemenitas não puderam fugir da Guerra que se perpetua no país, na Somália, e em tantos outros locais.

Continua
~Chrys Chrystello*
*Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713
MEEA-AJA (IFJ)

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