Guerras em duodécimos
A atual administração norte-americana decidiu espalhar pelo mundo algumas guerras que, no seu entender, são necessárias em nome da segurança nacional americana. Este é o discurso. Mas sabemos todos que os EUA lutam pela sua preponderância no mundo.
Principalmente depois da segunda guerra (1939-1945), a expansão americana começou a reforçar as suas áreas de influência. Primeiro eram as razões comunistas representadas pela ex-União Soviética, que levou os EUA às Coreias na década de cinquenta, seguindo-se o Vietname nos anos sessenta, bem como toda a chamada guerra fria decorrente de toda esta situação. A África igualmente deu os seus gritos de Liberdade, nas várias colónias ‘pertenças’ dos antigos impérios europeus agora em decadência ou desuso.
Nunca passou uma década sem que os EUA não estivessem em guerra com algo ou alguém.
Desde os finais da 2ª Guerra que tanto os Britânicos como a seguir a América, demonstraram apetecível interesse estratégico no Arquipélago dos Açores. Estas Ilhas, praticamente a meio do Norte Atlântico entre Nova Iorque e Lisboa, eram o local ideal na defesa de um espaço geoestratégico de suprema importância.
Com a perda de influência e decadência do império britânico – principalmente depois da Independência da India em 1948, tornava-se óbvio que a herança recaía na nova nação americana, cuja expansão terrestre estava terminada e agora virava-se para a predominância marítima.
Num livro recentemente lançado por José Carlos Cymbron, “A emergência do poder americano e o Almirante Alfred Thayer Mahan” (ed. Letras Lavadas, jan. 2026), podemos ler na página 51, no seu segundo parágrafo, a síntese das ideias do americano Almirante Mahan – 1840-1914:
“… o homem percorrera a história empunhando sempre a espada, sendo a guerra uma contingência normal, ou seja, um instrumento de ajustamento e regulação das sociedades e, por conseguinte, nem sempre indesejável.
… muitas vezes o único árbitro é a força física, da qual a guerra é, meramente, a expressão política ocasional.
… a guerra é um meio de forçar o entendimento, para o qual não tenha sido descoberta alternativa satisfatória, sempre que uma nação se esforce em relação a uma pretensão considerada como interesse essencial”.
Este é o fulcro central dos EUA. A presidência atual da Casa Branca não faz outra coisa do que seguir a linha percorrida até agora.
Os preparativos estão em curso neste momento para dar continuação a esta política expansionista americana, desta vez com o Irão, tomado pelos radicais islâmicos dos Aiatolas, clérigos virados para a destruição de tudo à sua volta em nome de Alá, numa distorção absoluta dos princípios do Alcorão sagrado.
O regime sanguinário que reina naquelas paragens desde 1979, está neste momento na corda bamba com as ameaças dos EUA, pela desobediência do Irão em querer continuar com o desenvolvimento da energia nuclear. Para o Ocidente, a posse de armas nucleares nas mãos do fanatismo iraniano apresenta um perigo fatal para os países vizinhos e para o mundo em geral.
As movimentações militares que temos vindo a assistir na Base das Lages, na Ilha Terceira, com dezenas de aviões de combate, são referências de algo em grande a ser preparado pelos EUA contra o Irão.
E mais uma vez na História, os Açores veem-se envolvidos nas “guerras necessárias” americanas, sem que os açorianos sejam consultados. O sigilo é quase absoluto e a nossa segurança é secundária para o expansionismo das grandes potências.
Estamos completamente à mercê dos seus desígnios.
José Soares