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Lotaçor sob pressão financeira agrava risco num serviço crítico para a fileira das pescas açorianas

O Serviço de Lotas dos Açores, S.A. (Lotaçor) enfrenta uma forte pressão financeira e de tesouraria que está a agravar a preocupação com a capacidade de assegurar encargos correntes, incluindo o pagamento de salários, segundo fonte próxima da empresa.
A mesma fonte refere que a situação é também marcada por atrasos em transferências por parte do Governo Regional dos Açores, acionista da sociedade.
A Lotaçor tem um papel estrutural na fileira das pescas na Região Autónoma dos Açores. Além da primeira venda de pescado e do respetivo controlo, a empresa assegura a gestão das lotas, portos e núcleos de pesca, bem como das infraestruturas de frio e conservação ligadas ao sector.
Segundo a fonte ouvida pelo Diário dos Açores, uma pressão prolongada sobre a tesouraria pode ter impacto na manutenção de equipamentos e na resposta operacional, numa atividade que depende do regular funcionamento das lotas, portos, gelo e frio.
A situação financeira cruza-se com o debate público sobre a atualização das taxas e tabelas de custos de prestação de serviços.
A contestação da fileira às taxas reflete a preocupação com os custos de contexto, a competitividade e o rendimento dos operadores.
Ao mesmo tempo, acrescenta a mesma fonte, a Lotaçor “necessita de reequilíbrio financeiro, num contexto em que os custos fixos de produção têm vindo a subir no país e na Região”.
Em causa está uma tensão de fundo: “a discussão sobre atualização de preços na Lotaçor é uma questão política que não benficia ninguém se passar a ser politizada”. Se por um lado, o sector tem dificuldade em absorver aumentos; por outro, a empresa pública continua a enfrentar custos crescentes, sem compensação pública considerada suficiente para serviços de interesse coletivo.
Neste quadro, a atualização de preços e o reforço do financiamento através de contratos-programa com o Governo Regional dos Açores surgem como instrumentos centrais para estabilizar a operação, refere a fonte que defende “uma compensação pública destes serviços que deve ser transparente, contratualizada e adequada, em vez de depender de ajustamentos pontuais e soluções de tesouraria de curto prazo”.
Sem correções estruturais no financiamento e no modelo de prestação de serviços, a pressão sobre a Lotaçor poderá manter-se e afetar a regularidade de um serviço essencial para a fileira das pescas açorianas.
O Conselho de Administração da Lotaçor foi contactado pelo Diário dos Açores, mas não se pronunciou até ao fecho desta edição.

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