O Grupo Aeroporto do Pico (GAPix) voltou a denunciar a “grave limitação” das ligações aéreas diretas entre a ilha do Pico e a ilha de São Miguel no período de Inverno da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), considerando que a oferta tem sido “manifestamente insuficiente” apesar dos sucessivos alertas públicos. A posição foi assumida numa nota divulgada na véspera da visita estatutária do Governo Regional à ilha.
Segundo o GAPix, a rotação adicional introduzida à terça-feira entre Ponta Delgada e o Pico, identificada como a “oitava rotação adicional, revelou-se claramente insuficiente” para responder às necessidades da população e à procura existente.
O grupo refere que, perante a falta de lugares, se multiplicam relatos de passageiros obrigados a recorrer ao transporte marítimo para outros aeroportos de ligação, suportando “custos adicionais” para conseguirem viajar, num quadro que diz evidenciar um desequilíbrio na acessibilidade aérea ao Pico.
A nota aponta ainda um efeito imediato associado à deslocação do Executivo açoriano: “paradoxalmente”, a própria visita estatutária terá agravado a situação ao ocupar “grande parte” dos poucos lugares disponíveis nas ligações aéreas. O GAPix sublinha, em paralelo, a falta de coerência entre o objetivo político de combater a sazonalidade na época baixa, que afirma ter sido assumido por membros do Governo Regional na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) e a atual política de acessibilidades para a ilha do Pico.
No entendimento do grupo, sem uma oferta adequada de voos no Inverno “é impossível reduzir a sazonalidade turística”, alertando para impactos que vão além do turismo: a insuficiência de ligações compromete a mobilidade de residentes, estudantes e doentes, e prejudica também a atividade das empresas locais.
Como solução, o GAPix defende o reforço das ligações diretas entre Pico e São Miguel já no próximo Inverno IATA, com especial incidência entre quinta-feira e domingo, para permitir escapadinhas de fim de semana e estimular fluxos turísticos de curta duração. Pede igualmente horários que garantam conectividade eficaz aos voos de e para o Porto e Lisboa, via São Miguel, evitando pernoitas forçadas e custos acrescidos. “A acessibilidade aérea não pode continuar a ser um entrave ao desenvolvimento da ilha do Pico”, conclui o grupo.
