Temos muito gosto em registar, no Jornal Diário dos Açores, um dos textos de Apresentação do livro A Lógica das Ideias. Estudos de Filosofia e Crítica Literária, da Autoria do Professor Doutor Eduardo Ferraz da Rosa, pelo Professor Doutor José Luís Brandão da Luz, Professor Catedrático. Depois de me referir aos Geniais Professores José Enes e Gustavo de Fraga, devo também exprimir, com gratidão, que Eduardo Ferraz da Rosa e José Luís Brandão da Luz também foram meus Professores, foram, são, e serão, duas Figuras de Referência, do Passado, do Presente, e do Futuro, dos Açores e da Universidade dos Açores. O Professor Doutor José Enes e o Professor Doutor Gustavo foram, são e serão, Sempre, os Dois Magnos Educadores, Professores e Filósofos, que fundaram e marcarão, para Sempre, a Universidade dos Açores, entre outros, e marcaram sucessivas gerações, que continuam a dar muitos frutos. Os Açores são devedores, para Sempre, destes dois Magnos Educadores, Professores e Filósofos, – Humildes, por isso Sábios – nascidos, nesta Terra – os Açores -, respetivamente, na Silveira, das Lajes do Pico, e da Fajãzinha, na Ilha das Flores, dos Açores. É impossível escrever sobre Filosofia, Poesia e Literatura, nos Açores, – em sentido universal -, sem a referência a esses dois Nomes, Maiores e Ilustres, da Educação, da Filosofia e da Literatura, José Enes e Gustavo de Fraga.
É com muito gosto, e proveito, que continuarei a ler o livro, agora publicado, que revela, como era expectável, uma forte densidade de Pensamento e Reflexão.
Uma Leitura, e Reflexão, que faço, sempre, em intertextualidade(s).
Emanuel Oliveira Medeiros
Eduardo Ferraz da Rosa
A Lógica das Ideias
Estudos de Filosofia e Crítica Literária (I)
Ferraz da Rosa, que temos a honra e a satisfação de receber hoje neste acolhedor espaço da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, apresenta-se em plena fulguração de uma produção crítico-literária e histórico-filosófica, marcada pela edição recente de dois apreciáveis volumes, um dedicado à obra de Vitorino Nemésio, autor a que tem dedicado, desde há muitos anos, aprofundada atenção, e com quem teve o privilégio de conviver com alguma proximidade. O livro foi recentemente apresentado na Praia da Vitória e será certamente uma valiosa referência a ter em conta nas já anunciadas iniciativas culturais que no corrente ano irão assinalar, na ilha Terceira, os 125 anos do nascimento do poeta e escritor açoriano. O outro livro, que particularmente nos convoca agora, tem por título A Lógica das Ideias – Estudos de Filosofia e Crítica Literária. Como o subtítulo indica, compõe-se de duas grandes partes: uma primeira reúne textos de temas filosóficos, na forma de ensaios, entrevistas, depoimentos, crónicas, de que nos ocuparemos de modo particular; uma segunda parte reporta-se à análise literária e à difusão de uma variedade de autores contemporâneos, açorianos, nacionais e alguns estrangeiros, assim como temas culturais, os mais diversos, e de que se deverá ocupar o nosso estimado colega e amigo, mas também distinto poeta e ensaísta, Urbano Bettencourt, a quem calorosamente cumprimento.
É meu desejo, antes de mais, agradecer ao Eduardo Ferraz da Rosa o convite que me endereçou para proceder à apresentação desta sua obra que, decerto, irá constituir uma assinalável referência do que a partir dos Açores se faz nos domínios da filosofia e da cultura. Mas desejo também, nesta ocasião, dar testemunho da grande satisfação por esta oportunidade de nos voltarmos a encontrar, sob os auspícios da Filosofia e também da Literatura, nesta cidade de Ponta Delgada, onde Ferraz da Rosa viveu algum tempo e cultivou amizades, ultimamente, também filiais, por meio do jovem e já conceituado cardiologista, Dr. Tiago Ferraz da Rosa, a exercer atividade clínica nesta cidade, e a quem também cumprimento. Conhecemo-nos pela primeira vez, nos anos oitenta do século passado, éramos então ambos assistentes do curso de Filosofia que então se havia iniciado em 1981 sob a tutoria dos eminentes e saudosos professores José Enes e Gustavo de Fraga. Cultivámos desde o início uma espontânea amizade, que cresceu com a partilha de estimulantes diálogos sobre temas de filosofia de que nos ocupávamos, para dar satisfação à lecionação e aos trabalhos de investigação a que tínhamos de dar cumprimento. Foi um convívio que se consolidou pela descoberta de alguns mestres insignes que tivemos a felicidade de conhecer na Faculdade, e que ainda hoje recordamos pela saudosa memória que nos deixaram, assim como de amigos comuns que não esquecemos.
Evoco este passado porque ele permanece vivo, não só na memória e nos sentimentos, mas na forma como ele modelou a sensibilidade, assim como as preferências pelos temas que elegíamos para estudar e discutir, pelas bibliografias que conhecíamos em comum e se refletem em muitas das páginas deste estimulante livro. Todas essas marcas ajudarão certamente a responder à pergunta Nemesiana, que Ferraz da Rosa recupera na sua nota introdutória, em se que interroga sobre o que saberá um autor dizer de si e da sua obra. Os anos de formação e o estreito convívio familiar e intelectual com Gustavo de Fraga e José Enes na Universidade dos Açores darão algum esclarecimento à pergunta, pois acabaram por gizar o caminho que tomamos na filosofia. Árduo caminho e rude tarefa, de que Platão e Aristóteles falavam, em jeito de alerta aos jovens ouvintes que os seguiam para que se não deixassem vencer pelos desalentos que ensombravam o seu infatigável combate pelo conhecimento da realidade, para além da sua simples aparência. O pensamento alimenta-se do confronto que nos traz acorrentados «na grande prisão da linguagem», que é, simultaneamente, lugar em que se dissipam as trevas e em que também cresce a dúvida e a frustração, como é próprio daqueles que nunca encontram repouso nas suas conquistas pois, como nos advertiu Karl Jaspers, «as interrogações são mais importantes do que as respostas e cada uma destas transforma-se em nova interrogação». O caminho da filosofia, sempre exposto à inesperada devassa do nosso discurso, compreende-se pelo modo como entrelaçamos os fios com que vamos urdindo a insipiente discursividade que dá corpo aos nossos trabalhos, a qual, como lembrava George Steiner, «encobre tanto, ou provavelmente mais ainda, do que revela». Todavia, a linguagem, ou a escrita, no caso vertente, é a enxada ou o arado de que dispomos para empreender as arroteias do pensamento, não obstante o seu manejo ser sempre gerador de inevitáveis confrontos: ”embatemos” nas malhas artificiosas da discursividade como se estivéssemos frente a uma parede branca, lisa, interminável, onde à semelhança dos poetas, filósofos, mestres da metáfora, músicos, artistas, teimamos também em inscrever os rabiscos do nosso labor. É um combate que nunca se termina e sempre se reinicia, num misto de sentimentos que nos fazem oscilar entre a esperança e a desilusão, em alternância aos momentos de luz e de sombras que vamos atravessando. Anima-nos a expectativa de tornar claro o que resiste à transparência que não desistimos em conquistar, por meio de palavras, gestos e silêncios que acabam, no final, sempre por trair a confiança que neles depositámos.
[…](Continua)
José Luís Brandão da Luz
Nota. Livro de Ferraz da Rosa, Eduardo (2025) A Lógica das Ideias. Estudos de Filosofia e Crítica Literária, da Autoria de Educar. Ponta Delgada: Letras Lavadas edições (Parcerias editoriais: SHIP – Sociedade da Independência de Portugal¸ MIL – Movimento Internacional Lusófono; Nova Águia – Revista de Cultura para o Século XXI)
* Doutorado e Agregado em Educação, Especialidade de Filosofia da Educação
Centro de Estudos Humanísticos da Universidade dos Açores
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Emanuel Oliveira Medeiros*
Professor Universitário