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Oferta de casas novas duplica em cinco anos mas Açores continuam com pouca construção

A oferta de casas novas à venda em Portugal mais do que duplicou nos últimos cinco anos, atingindo cerca de 21 mil unidades no final de 2025. Ainda assim, a construção nova continua longe de responder às necessidades de habitação do país e, nos Açores, o ritmo é particularmente reduzido, segundo o relatório anual do idealista sobre o mercado residencial português.
O referido estudo indica que a Região Autónoma dos Açores é, pelo segundo ano consecutivo, o território com menor peso na venda de casas novas — apenas 1,2% do total nacional. Em 2025, venderam-se menos de 300 novas habitações nas ilhas, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) incluídos no relatório.
O cenário repete-se também do lado da construção. Os Açores apresentaram o número mais baixo de fogos licenciados para habitação familiar em todo o país: 714 unidades em 2025, o que representa apenas 2% do total nacional e mostra a persistente dificuldade do arquipélago em atrair novos projectos de construção residencial.
Na Região, é na ilha de São Miguel — especialmente em Ponta Delgada — que se concentra a maior parte da nova construção e venda de habitações. É também neste concelho que os preços são mais elevados, refletindo a pressão da procura e a escassez de oferta em zonas urbanas próximas do centro.
De acordo com o idealista, promotores imobiliários locais apontam que a escassez de solo urbano e os elevados custos de licenciamento continuam a travar novos empreendimentos. “A legislação nacional e o IVA aplicado à construção tornam difícil lançar projectos de nova habitação acessível nas ilhas”, referem fontes do sector imobiliário micaelense.
A nível nacional, as casas novas à venda atingiram preços médios de 4.165 euros por metro quadrado, valores muito superiores aos praticados no mercado de imóveis usados. Em Lisboa, o preço médio chegou a 7.574 euros/m2, enquanto no Funchal atingiu 4.833 euros e no Porto 4.236 euros.
Nos Açores, os valores continuam significativamente mais baixos, mas também têm vindo a subir de forma consistente nos últimos anos, com novos empreendimentos em Ponta Delgada e Lagoa a praticarem preços acima dos 2.000 euros/m2 em algumas zonas da ilha de São Miguel.

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