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Empresários alertam para quebra no turismo e exigem “medidas estruturais” para o sector

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e as associações representativas da hotelaria e do alojamento local nos Açores manifestaram preocupação com a quebra dos indicadores turísticos e apelaram à adoção de medidas estruturais para enfrentar a sazonalidade que continua a marcar o setor regional.
Em conferência de imprensa, que reuniu o presidente da CCIPD, o presidente da Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) e a representante regional da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), os empresários alertaram para a tendência de queda prolongada no turismo açoriano. Segundo dados do Serviço Regional de Estatística (SREA), o arquipélago registou em Janeiro uma redução de 9,9% nas dormidas em alojamentos turísticos face ao mesmo período do ano anterior – o quinto mês consecutivo em descida.
O presidente da CCIPD, Gualter Couto, defendeu que “o inverno turístico não pode ser preparado de forma reactiva” e insistiu na necessidade de “um combate eficaz à sazonalidade”, com políticas baseadas em dados, segmentação de mercados e um modelo de gestão mais orientado para resultados. O economista rejeitou que o turismo açoriano tenha atingido um “planalto”, comentando que “os Açores ainda nem chegaram a meio da montanha” e criticou a falta de visão estratégica do executivo regional.
O dirigente destacou ainda que a redução prevista de 9% na oferta de lugares em voos internacionais e a saída da Ryanair terão impactos significativos no sector. “Se andamos a entrar num mercado e dois ou três anos depois estamos a sair, não é uma gestão profissional”, afirmou.
Também Andreia Pavão, representante da AHP nos Açores, alertou para as consequências da retração turística, afirmando que “a quebra de dormidas já não é antecipada, é uma realidade”. Sublinhou ainda que a perda de acessibilidades directas “é muito preocupante” e que a tendência negativa terá reflexos “em toda a cadeia de valor”.
Por sua vez, João Pinheiro, presidente da ALA, lembrou que os Açores são “a região do país com maior amplitude sazonal”, o que cria “dificuldades enormes de tesouraria” para as pequenas e médias empresas do sector. “Sete em cada dez alojamentos locais não tiveram um único hóspede em Janeiro. É um revés enorme para o turismo”, afirmou, apelando a acções concretas por parte do Governo Regional.
Os empresários defenderam que o combate à sazonalidade, a captação de novos mercados e o fortalecimento das acessibilidades aéreas devem ser prioridades, sob pena de a crise no turismo açoriano agravar-se nos próximos meses.

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