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Governo prepara candidatura do Queijo de São Jorge a património cultural imaterial da UNESCO

O Governo Regional dos Açores iniciou os trabalhos preparatórios para a candidatura dos saberes e técnicas tradicionais de produção do Queijo de São Jorge ao reconhecimento como património cultural imaterial, um processo que envolve instituições científicas, produtores e entidades culturais e que poderá culminar na futura formalização da candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A informação consta de uma resposta enviada pelo Governo Regional à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na sequência de um requerimento apresentado por deputados do Partido Socialista (PS) sobre o ponto de situação da candidatura do Queijo de São Jorge Denominação de Origem Protegida (DOP) ao património cultural imaterial.
Segundo o documento, após a assinatura de um protocolo de colaboração destinado à inscrição de “Os Saberes e as Técnicas Tradicionais da Confeção do Queijo de São Jorge DOP” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, foram já iniciados contactos institucionais entre as entidades subscritoras e outras instituições relevantes para o desenvolvimento do processo de inventariação.
No âmbito destes trabalhos, têm sido promovidas articulações com entidades de natureza científica e académica para definir metodologias de trabalho e enquadrar tecnicamente o processo. Paralelamente, decorrem contactos com produtores e organizações representativas do setor, bem como com organismos com competências na área do património cultural, com o objetivo de recolher contributos e garantir uma preparação adequada da candidatura.
Está igualmente em preparação a constituição de uma estrutura de acompanhamento técnico do processo, que integrará representantes das entidades signatárias do protocolo e especialistas nas áreas do património cultural imaterial, da investigação académica e do setor produtivo. Esta estrutura terá como missão acompanhar os trabalhos de investigação, recolha e sistematização de informação e apoiar a elaboração da documentação necessária à instrução do processo de inventariação.
Quanto ao calendário da candidatura, o Governo Regional refere que se encontra ainda em definição, atendendo à natureza exigente dos procedimentos associados ao reconhecimento de património cultural imaterial. O processo envolve várias etapas sucessivas e interdependentes, que incluem a consolidação de uma metodologia científica adequada, a recolha sistemática de informação, a seleção criteriosa de fontes, a análise bibliográfica especializada e uma investigação de campo alargada.
Nesta fase inicial, os trabalhos centram-se na preparação metodológica do processo, designadamente na identificação e recolha de informação relevante e na definição das componentes técnicas necessárias à elaboração do processo de inventariação. Só após a conclusão destas etapas preparatórias poderá avançar a formalização da candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, passo essencial para uma eventual candidatura internacional.
O Governo Regional adianta ainda que estão previstas várias medidas de salvaguarda e valorização deste património. Entre elas incluem-se a identificação e documentação do conhecimento tradicional associado à produção do queijo, a mobilização dos produtores e da comunidade local para o processo de inventariação e a promoção de iniciativas de sensibilização e divulgação que reforcem o reconhecimento cultural desta prática. Paralelamente, deverão ser desenvolvidas ações destinadas à transmissão destes saberes e à sua valorização, através de iniciativas de divulgação, eventos e outras atividades que contribuam para a preservação e promoção deste património cultural imaterial associado à produção tradicional do Queijo de São Jorge.
O processo representa um passo relevante na valorização cultural e histórica de um dos produtos mais emblemáticos dos Açores, cuja produção tradicional constitui um elemento central da identidade económica e cultural da ilha de São Jorge.

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