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Universidade dos Açores e OKEANOS assumem papel central no futuro das ciências do mar em Portugal

A definição de uma visão estratégica para as ciências do mar em Portugal na próxima década esteve em debate no 1.º Fórum de Investigação no Oceano (FIO), realizado na passada sexta-feira, 13 de março, na Universidade de Aveiro, e que contou com forte participação da Universidade dos Açores, através do Instituto OKEANOS.
O encontro, que reuniu mais de uma centena de cientistas e foi coorganizado pelos cinco principais centros e laboratórios associados com ênfase no mar — CESAM, CCMAR, CIIMAR, MARE e OKEANOS — teve como objetivo discutir o futuro de um país oceânico e atlântico como Portugal no horizonte de 10 anos. O trabalho de oito grupos temáticos permitiu fazer um diagnóstico das ciências do mar a nível nacional, identificando forças, fraquezas, oportunidades e riscos, e traçando objetivos de médio prazo (até 2028) e metas estratégicas até 2035. Os resultados do fórum serão agora integrados num documento de compromisso estratégico para a ciência do mar portuguesa, a apresentar à tutela, representada no encontro pelo Secretário de Estado das Pescas e do Mar e pela Secretária de Estado da Ciência e Investigação. Num momento em que o Sistema Científico e Tecnológico Nacional se encontra em reestruturação, com a criação da nova agência de investigação e inovação (AI2), este documento pretende orientar políticas públicas nacionais, europeias e internacionais e sustentar uma economia azul inovadora e sustentável.
Ao longo dos trabalhos foi sublinhado o papel estruturante do IPMA e do Instituto Hidrográfico, bem como a relevância do Fórum Oceano e dos laboratórios colaborativos CoLAB +Atlântico, B2E e S2AQUA CoLAB. Ficou igualmente claro que, apesar de Portugal ser reconhecido como uma potência científica na área do mar e dos oceanos, o setor enfrenta fragilidades consideradas críticas, nomeadamente ao nível das condições laborais, do financiamento, da fragmentação institucional, das infraestruturas e programas de monitorização, da gestão e digitalização de dados e da articulação entre ciência e decisão política.
Neste contexto, os participantes defenderam a necessidade de uma ciência marinha integrada, robusta e estruturada, capaz de apoiar políticas públicas sólidas e de reforçar o posicionamento de Portugal como referência global em ciência e governança oceânica. A visão saída do 1.º Fórum de Investigação no Oceano assenta no compromisso dos governos em assegurar os recursos e a estabilidade necessários para concretizar essa ambição.
A Universidade dos Açores e o Instituto OKEANOS assumiram um papel central neste debate. Segundo Gui Menezes, diretor do OKEANOS e um dos promotores do fórum, o contributo dos Açores para a implementação desta visão estratégica é “absolutamente determinante”, atendendo ao vasto território marítimo sob jurisdição portuguesa na região, ao capital acumulado de conhecimento oceânico, à experiência na transferência de ciência para a decisão política e às infraestruturas de excelência já existentes e em desenvolvimento. Entre estas, destacou o novo navio oceanográfico, equipado com ROV, e o tecnopolo MARTEC, que irão reforçar a capacidade nacional de investigação e inovação no domínio do oceano profundo e da biodiversidade em águas para além da jurisdição nacional (BBNJ).
Para Gui Menezes, o fórum representa um momento decisivo para aproximar as várias unidades de investigação do país, incentivar novas colaborações e consolidar a centralidade dos Açores nas ciências do mar, na economia azul e na sua posição geoestratégica no Atlântico. A participação açoriana fez-se ainda sentir através da contribuição ativa de vários investigadores do OKEANOS nos grupos temáticos do FIO, entre os quais Ana Colaço, Marina Carreiro-Silva, Pedro Afonso, Christopher Pham, Mirko de Girolamo, Raúl Bettencourt, Mónica Silva, Ana Martins e Telmo Morato, sublinhando o envolvimento da Universidade dos Açores na construção da agenda científica nacional para o oceano na próxima década.

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