A Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues defendeu uma posição clara do Governo Regional dos Açores sobre o uso de telemóveis nas escolas, alertando para o risco de desigualdades entre estabelecimentos de ensino devido à ausência de orientações comuns. Em reflexão assinada pelo presidente da associação, Mateus Pacheco, os estudantes consideram essencial um debate “sério e equilibrado” sobre o tema, que tenha em conta os impactos do uso excessivo de tecnologia, mas também a realidade concreta das escolas e o papel dos alunos na definição das políticas educativas.
A estrutura estudantil critica o facto de o Governo Regional remeter a decisão sobre o uso de telemóveis para a autonomia das escolas, numa altura em que o Governo da República já aprovou a proibição destes dispositivos até ao 6.º ano de escolaridade. A associação lembra que, em 2022, o executivo açoriano avançou de forma determinada com a aplicação dos manuais digitais, sem dar o mesmo peso à autonomia das escolas, e sublinha que ainda não é conhecido um estudo ou avaliação sistemática dessa implementação, mais de um ano após o início da fase experimental.
Na análise, a Associação de Estudantes questiona a coerência da tutela, acusando o Governo Regional de se vangloriar dos resultados escolares e do aumento de estudantes no ensino superior “apesar” de problemas como atrasos no pagamento de bolsas, infraestruturas degradadas e a imposição de manuais digitais sem alternativas físicas em algumas disciplinas. Os alunos recordam que, pelo terceiro ano consecutivo, no Parlamento dos Jovens são expressas preocupações com as condições das escolas, sem que se verifiquem melhorias significativas, e interrogam-se sobre o impacto concreto das visitas de responsáveis políticos e técnicos aos estabelecimentos de ensino.
Para a Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, é “inadmissível” a falta de uma posição firme sobre o uso de telemóveis, considerando que o argumento contra decisões “de cima para baixo” só é invocado quando convém. A estrutura alerta ainda para as dificuldades acrescidas dos alunos com menos recursos, que em alguns casos são obrigados a estudar apenas com manuais digitais por ausência de versões em papel nas escolas.