A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo já apresentou o tema e o cartaz das Sanjoaninas 2026, que decorrerão de 19 a 28 de junho, na cidade Património Mundial, associando-se este ano às comemorações do 50.º aniversário da Autonomia sob o tema “Angra e a Açorianidade”.
A frase que inspira o tema foi idealizada por Tomé Ribeiro Gomes e o cartaz é da autoria de Rúben Quadros Ramos. Mais do que as festas concelhias de Angra do Heroísmo, as Sanjoaninas afirmam-se como as maiores festividades do arquipélago dos Açores, reunindo milhares de visitantes e inúmeros motivos para celebrar a vida, a cultura e a identidade açoriana.
Ao longo de dez dias, a cidade acolherá uma programação diversificada que inclui concertos em vários palcos, com estilos musicais distintos, desfiles temáticos que percorrem as ruas da cidade, uma oferta gastronómica variada nas tradicionais tascas, bem como exposições e iniciativas desportivas. As marchas populares voltam a marcar Angra do Heroísmo apresentou tema e cartaz das Sanjoaninas 2026um dos momentos mais emblemáticos das festas, a par das manifestações tauromáquicas, à corda e na praça.
“As Sanjoaninas são um excelente postal da nossa identidade e representam também um importante contributo para o desenvolvimento económico do concelho. Mais do que uma expressão popular, são um símbolo cultural da nossa identidade açoriana”, afirma Guido Teles, vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e responsável pela organização das Sanjoaninas.
Aos cinquenta anos, a autonomia regional merece ser celebrada. Celebrada não só no sentido cerimonial do termo, usado para ocasiões como os feriados nacionais, em que as figuras centrais da nossa vida nacional fazem discursos, as Forças Armadas desfilam perante o povo e todos se põem em sentido para ouvir o hino.
Merece isso, é certo, mas também merece outro tipo de celebração. Aquela que tem lugar quando fazemos anos ou casamos ou assistimos à vitória da nossa equipa: a celebração enquanto festa. Porque nos Açores, e em particular na Ilha Terceira, sem festa não há povo, e sem povo a autonomia não teria nada dentro.
Foi esse povo que, nesta e noutras ilhas, viveu o tumultuoso processo de criação da democracia, entre 1974 e 1976, debatendo o seu futuro entre muitos outros possíveis. O resultado foi um estatuto político-administrativo inédito no ordenamento jurídico português: a autonomia regional. As nove ilhas passaram a ser uma só entidade política, embora uma entidade composta por várias comunidades. É o mar que as isola, que as separa umas das outras e do resto do mundo.
No seu isolamento determinado pela geografia – que nos Açores “vale outro tanto como a história”, escreveu Nemésio – cada comunidade ganha os seus hábitos, as suas maneiras de falar, de ser e de pensar. Porém, o compromisso autonómico convoca-as para uma conversa sobre o destino comum do arquipélago.
Este debate sobre o nosso futuro partilhado é o cerne da autonomia. Se queremos saber para onde vamos, temos primeiro de saber de onde partimos. Ou seja, saber quem somos.