passagem ilusória
é tudo passageiro ilusório
e triste
para quem da vida se aparta
e a eternidade no seu regaço colhe
passa-se de um estado
ora ser agora vivo
ora esperando o momento de partir
em que a morte é o ponto final
chega-se e parte-se
e nunca saberemos porquê
havendo no intervalo um grito
ou o alarido de um riso
pelas arestas solidão e dúvida
e no interior do corpo construído
o derrube de uma empena
que segurava o esqueleto da casa
construída sobre chão movediço
julgamos ter a eternidade alcançado
esquecemos a nossa vulnerabilidade
porque somos o sopro do que o tempo arrasta e destrói
num lugar onde o vento deixou de existir
e se negou de voltar a passar
Victor de Lima Meireles