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Para o meu irmãoEduardo Jorge (1939-2026)

passagem ilusória

é tudo passageiro ilusório
e triste
para quem da vida se aparta
e a eternidade no seu regaço colhe

passa-se de um estado
ora ser agora vivo
ora esperando o momento de partir
em que a morte é o ponto final

chega-se e parte-se
e nunca saberemos porquê
havendo no intervalo um grito
ou o alarido de um riso

pelas arestas solidão e dúvida
e no interior do corpo construído
o derrube de uma empena
que segurava o esqueleto da casa
construída sobre chão movediço

julgamos ter a eternidade alcançado
esquecemos a nossa vulnerabilidade
porque somos o sopro do que o tempo arrasta e destrói

num lugar onde o vento deixou de existir
e se negou de voltar a passar
Victor de Lima Meireles

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