Lista das memórias curtas
Berta Cabral, líder do PSD/Açores, candidata à presidência do Governo Regional dos Açores de 14 de outubro de 2012 (transcrição integral):
«Sou uma açoriana como qualquer outra açoriana. Tenho as mesmas preocupações que qualquer mãe ou pai, os mesmos problemas que qualquer mulher ou homem que viva nestas ilhas. E fiquei genuinamente preocupada com o efeito negativo que as medidas anunciadas pelo Governo da República podem ter nos açorianos. Já não estou a falar só nos mais carenciados e dos idosos. Refiro-me à classe média que perderia uma parte fundamental dos seus rendimentos se estas medidas fossem aplicadas nos Açores. Os açorianos não podem ser duplamente castigados. A Autonomia não serve para colocar em cartazes. Serve para ser exercida, todos os dias, a favor dos açorianos. A autonomia orçamental permite ao próximo Governo Regional tomar medidas concretas para minimizar nos Açores o impacto de um novo pacote de austeridade. Por isso decidi que vamos exercer as prerrogativas orçamentais da nossa Autonomia para garantir que as medidas anunciadas pelo Governo da República tenham um impacto próximo de zero nos Açores e nos açorianos. Vamos devolver aos açorianos o que o Governo da República quer retirar. Criamos um Plano Social de Salvaguarda financiado através do corte nas mordomias e despesas dos políticos e dos desperdícios do Governo. Do lado da despesa decidimos implementar sete iniciativas concretas:
1. Redução de 25%, pelo prazo de dois anos, do vencimento de todos os titulares de cargos políticos – começando pela presidente do governo regional.
2. Redução de 40% de membros de governo, de 12 para 7 secretários regionais, e respetivos gabinetes e assessorias.
3. Redução de 35% de todos os cargos de nomeação política e seus gabinetes e assessorias.
4. Redução não inferior a 40% nas despesas em viagens, hotéis e ajudas de custo.
5. Redução do número de deputados, dos atuais 57 para um máximo de 39 deputados.
6. Redução de 25% nos vencimentos de gestores públicos, durante dois anos.
7. Redução de 35% de cargos de nomeação pública no setor público empresarial regional.
Podem parecer medidas simples mas estes cortes nas mordomias e nas despesas com os políticos representam uma poupança de 21 milhões de euros. Dinheiro mais do que suficiente para financiar o Plano Social de Salvaguarda:
1. Aumento de 20% do complemento regional de pensão
2. Aumento de 20% do apoio à aquisição de medicamentos
3. Aumento de 20% do complemento regional de abono de família
Finalmente, e para aliviar a carga fiscal para os trabalhadores do setor privado que agora são penalizados com acréscimo de 7% na contribuição para a segurança social, a criação de um subsídio de insularidade até 5% do vencimento base até aos 2000 euros. Da mesma forma comprometemo-nos em manter os subsídios que já existem para os funcionários públicos e travar qualquer plano de despedimentos que o governo socialista tenha preparado. Os tempos não são fáceis? Não. As dificuldades são muitas? São. Mas é exatamente por causa disso que estamos aqui! Quanto mais difíceis são os tempos, quanto maior for a crise, quanto mais repressivas forem as medidas do Governo da República, mais os açorianos precisam de nós. Mais importante é a nossa decisão no dia 14 de outubro. O meu partido são os Açores. O meu projeto são os açorianos. A minha força é a vossa vontade. E juntos não há desafio que os Açores não possam vencer.» (assinado: Berta Cabral, setembro 2012).
Nas eleições regionais de outubro de 2012, enquanto chefe do PSD/Açores, foi cabeça de-lista do PSD e candidata à Presidência do Governo Regional dos Açores. Teve 35.572 votos (33.01%), tendo sido vencida pelo socialista Vasco Cordeiro que obteve 52.827 votos (49.02%). No entanto, tem feito parte da Assembleia Legislativa Regional, com peso influenciável nas políticas exercidas. Faltam as prometidas na lista acima transcrita.
José Soares