A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) acusou a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos de manter um “silêncio seletivo” perante alegadas recusas de deslocação de médicos especialistas do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, para apoiar o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira após o incêndio de maio de 2024.
Em comunicado, a associação empresarial critica a recente carta aberta da Ordem dos Médicos sobre a reabilitação do HDES, considerando contraditório que a instituição intervenha no debate sobre o futuro da unidade hospitalar de São Miguel, mas não se tenha pronunciado sobre acusações relacionadas com a eventual falta de apoio médico especializado durante o período de emergência regional.
A CCIAH fala em alegações “gravíssimas” e defende que, mesmo que a Ordem desconhecesse os factos, deveria ter promovido averiguações internas devido ao impacto público da situação. A associação considera ainda que o silêncio da estrutura regional compromete a sua “autoridade moral” no debate sobre a saúde nos Açores.
O comunicado questiona também a representatividade da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos, alegando uma predominância de elementos ligados a Ponta Delgada e apontando possíveis conflitos de interesses envolvendo responsáveis associados ao plano operacional do HDES e entidades privadas de saúde, como a CUF.
A CCIAH anunciou que vai solicitar averiguações à Inspeção Regional da Saúde, à Ordem dos Médicos nacional e à Secretaria Regional da Saúde, para esclarecer responsabilidades relativas ao período crítico vivido pelo Serviço Regional de Saúde após o incêndio no HDES.
A posição surge depois de a Ordem dos Médicos ter defendido que a reconstrução do HDES deve ser encarada como uma oportunidade para criar uma infraestrutura hospitalar “moderna, segura e resiliente”. Na carta aberta divulgada na passada semana, o Conselho Médico considerou que a reabilitação da unidade hospitalar deve ultrapassar a simples reparação dos danos causados pelo incêndio de 4 de maio de 2024, apostando na modernização e ampliação de áreas críticas do hospital de referência dos Açores.