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Turistas dão nota elevada aos Açores na época baixa, mas apontam alojamento, animação e restauração como áreas a melhorar

Os Açores mantêm uma avaliação global elevada entre os turistas que visitam a região na época baixa, mas o destino continua a ser confrontado com desafios em áreas centrais da oferta turística. Segundo os resultados do inquérito “Satisfação do Turista que Visita os Açores — Época Baixa 2024/2025”, do Observatório do Turismo Sustentável dos Açores (OTSA), disponibilizados no passado 15 de maio, 91,1% dos visitantes manifestaram satisfação com o destino em geral e 87,6% consideraram que os Açores corresponderam às expectativas. Ainda assim, os serviços de alojamento, de animação turística e de restauração surgem como os três principais aspetos a melhorar.
O estudo, implementado de forma contínua desde 2010, tem como objetivo acompanhar a evolução da satisfação dos visitantes e apoiar decisões na promoção de um turismo sustentável. O inquérito da época baixa de 2024/2025 teve 377 respostas válidas, recolhidas presencialmente, tendo por universo 178.628 hóspedes registados na hotelaria tradicional na época baixa de 2023/2024 nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial. A recolha incide sobre turistas residentes em Portugal e no estrangeiro, nos três aeroportos regionais com maior fluxo turístico: João Paulo II, em Ponta Delgada, Lajes, na Terceira, e Horta, no Faial e em locais estratégicos frequentados por visitantes.
A maioria dos inquiridos residia no estrangeiro: 230 respostas, correspondentes a 61,0% da amostra. Os residentes em Portugal representaram 39,0%, num total de 147 respostas. Entre os mercados externos, os Estados Unidos da América surgem como principal origem, com 15,9%, seguindo-se a Alemanha, com 15,1%, e Espanha, com 14,3%. O perfil etário concentra-se sobretudo entre os 25 e os 44 anos, grupo que representa 68,5% dos visitantes, com equilíbrio quase absoluto entre géneros: 50,1% feminino e 49,9% masculino.
A segurança é a principal razão apontada para a escolha dos Açores como destino, reunindo 15,9% das respostas. Seguem-se a recomendação de familiares e amigos, com 13,8%, e o preço do destino, com 13,5%. A proximidade surge com 10,6%, a condição de destino insular com 8,8% e o facto de ser ainda pouco conhecido com 7,2%. A natureza sustentável do destino aparece mais abaixo, com 5,0%, à frente das redes sociais, com 4,5%, e da internet, com 4,0%.
A preparação da viagem revela um padrão de planeamento relativamente antecipado. Mais de metade dos turistas, 52,79%, reservaram a viagem entre um e três meses antes da partida, enquanto 23,87% o fizeram com um mês de antecedência. Apenas 4,24% reservaram uma semana antes. A esmagadora maioria, 94,96%, não combinou os Açores com outro destino. Entre as companhias aéreas utilizadas, a Azores Airlines surge em primeiro lugar, com 49,1%, seguida da TAP Portugal, com 19,6%, e da Ryanair, com 17,2%.
No alojamento, o regime mais frequente foi “só alojamento”, escolhido por 39,8% dos visitantes, seguido de alojamento e pequeno-almoço, com 33,2%.
A meia pensão representou 13,3% e a pensão completa ou tudo incluído ficou limitada a 3,7%. A maioria dos turistas, 64,7%, não adquiriu pacote turístico, enquanto 35,3% comprou pacote. Entre estes, quase metade, 47,37%, tinha uma estada incluída de cinco noites, seguindo-se sete noites, com 28,57%, e três noites, com 15,79%.
Entre os visitantes que não adquiriram pacote turístico, 36,0% gastaram entre 500 e 700 euros em transporte aéreo, num indicador apresentado pelo relatório com base em 225 respostas e com referência a uma média para três pessoas e uma estada média de três dias. No alojamento, 42,0% gastaram entre 300 e 500 euros, a partir de 212 respostas. Na restauração, 40,3% gastaram entre 200 e 500 euros, enquanto nos bares a maior concentração, 44,0%, se situou entre 100 e 300 euros. No rent-a-car, 34,6% gastaram entre 500 e 700 euros, confirmando o peso deste serviço na mobilidade dos visitantes durante a estadia.
A avaliação dos atributos do destino é particularmente forte nos elementos naturais e identitários. Os recursos naturais e a paisagem atingem 94,6% de satisfação, a gastronomia 94,3%, a segurança 93,8%, a gestão do destino 93,7%, a hospitalidade 93,6%, as férias ativas na natureza 93,5% e a qualidade ambiental 93,3%. A singularidade do destino também se destaca, com 93,3%, enquanto a tranquilidade alcança 93,0%.
Apesar da avaliação global positiva, o inquérito identifica áreas de pressão. Os serviços de alojamento são apontados por 183 respostas, equivalentes a 48,54% do total, como o principal aspeto a melhorar. Seguem-se os serviços de animação turística, com 160 respostas e 42,44%, e os serviços de restauração, com 158 respostas e 41,91%.
A disponibilidade de informação sobre o destino surge logo depois, com 38,46%, à frente dos serviços de transportes públicos terrestres, incluindo táxis e autocarros, com 30,50%, da agenda de eventos, com 25,73%, dos transportes aéreos entre ilhas, com 21,22%, do transporte aéreo para os Açores, com 19,10%, e dos transportes marítimos entre ilhas, com 18,83%.
A experiência global apresenta também indicadores menos robustos fora dos atributos naturais. A disponibilidade de informação sobre o destino obtém 84,0%, a qualidade das infraestruturas públicas 75,5%, o destino inclusivo e acessível para todos 78,6% e o destino para turistas seniores 66,7%. A assistência médica no destino é o indicador mais baixo, com 50,8%, embora seja também o item com maior percentagem de não respostas ou respostas “não sabe/não responde”, 27,4%.
A intenção de regresso confirma, ainda assim, a capacidade de fidelização do destino. Segundo o relatório, 63,13% dos visitantes manifestaram intenção de voltar aos Açores, 23,87% responderam que não e 13,00% não souberam ou não responderam. Na recomendação do destino, 47,75% consideraram “bastante provável” recomendar os Açores e 19,10% “muito provável”.

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