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Queima das Fitas, na cidade do Porto

Milhares de pessoas se juntaram na Avenida dos Aliados, cidade do Porto, para assistirem ao cortejo da “Queima das Fitas” dos também milhares de jovens estudantes, das diversas universidades sediadas na cidade invicta. Durante cerca de seis horas, em camiões ou a pé, desceram em cortejo, desde o cimo do lugar da Trindade até aos Aliados, constantemente aplaudidos pelas famílias, amigos, ou simplesmente curiosos, que ali se deslocaram para assistir àquela a que chamam, da maior festa estudantil do país, ou quiçá da Europa!
Ali desfilaram em alegria pelos objetivos atingidos, aqueles/as que serão os principais atores do futuro do país, através do conhecimento e da sua formação nas mais diversas áreas, desde a medicina à ciência, da engenharia à tecnologia, do ensino à própria Inteligência Artificial.
A pergunta colocada, não só por mim, mas também por vários dos que assistiam ao majestoso cortejo, foi a seguinte: Onde se vai empregar esta gente toda? Uma pergunta deveras pertinente, não só para os estudantes, como também para os pais, que tanto se sacrificaram para darem um futuro melhor aos seus filhos!
Grande parte destes formados nas nossas universidades, acabarão emigrando para outros países à procura de emprego e de melhores condições de vida? Aparentemente, é isso que vai acontecer à maioria deles, não só pelos incentivos criados no estrangeiro, como também ainda, pela falta dos mesmos em Portugal.
Somos bons na qualificação dos nossos jovens, mas lamentavelmente incapazes de os suster por cá…
Enviamos para o estrangeiro os doutores do conhecimento, e recebemos os menos qualificados… Por isso mesmo, havemos de continuar sendo pobres, enquanto outros enriquecem à custa do nosso saber…
Foi isso que se fez no reinado do Passos Coelho, incentivando à emigração, é isso que se continua fazendo, embora de modo encapotado, ou seja, não lhes criando oportunidades condignas para os entusiasmar a ficarem em Portugal.
No caso concreto dos jovens Açorianos, a situação ainda se torna mais grave, na medida em que na maioria dos casos não voltam à sua terra. Ficam pela Metrópole ou emigram para o estrangeiro!
A nossa história ensina-nos que sempre fomos à procura de outros mares, de outras terras, enquanto heróicos navegantes. Hoje, embora por diferentes circunstâncias, continuamos na procura de outros destinos.
Fernando Mendonça

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