No Parlamento Regional, o CHEGA, através do seu líder regional, acusou os sindicatos de serem semelhantes a “cartéis criminosos”. “Para além de não ter apresentado quaisquer provas, (nem isso seria possível, por se tratarem de afirmações completamente falsas), estas declarações revelam aquilo que o Chega tanto se esforça por esconder: que é a voz política e partidária dos grandes interesses, e não dos trabalhadores e do povo”, lê-se em comunicado da CGTP-IN/Açores.
O sindicato referiu que “quem queira procurar organizações políticas e sociais que actuem contra a lei, deve fazê-lo junto das organizações de concepções anti-democráticas e reaccionárias, de carácter fascista, com relações privilegiadas com o Chega. Olhe-se para as agressões em manifestações do 25 de Abril, que incluiu actos de violência contra manifestantes pacíficos e contra os agentes das forças policiais, que procuraram impor a normalidade, a ordem e o respeito pela lei. Olhe-se para as agressões gratuitas contra cidadãos pacíficos e desarmados, que se têm multiplicado nos últimos anos”.
“Aquilo que o Chega não perdoa à CGTP-IN e aos seus sindicatos é denunciarem o discurso de ódio, de oportunismo e de divisão social que este partido escolhe repetidamente utilizar e que tanto tem beneficiado o grande capital, que o financia – como demonstraram várias investigações jornalísticas”, alertou.
A CGTP-IN/Açores afirma que “o Chega, que age para subverter os valores e conquistas da Revolução de Abril, a Democracia, a Liberdade e a Constituição, não perdoa à CGTP-IN e os seus sindicatos defenderem-nas, todos os dias, tanto no plano da sua acção reivindicativa, como no plano institucional, e sempre no respeito pela normalidade democrática. Aquilo que o Chega não perdoa à CGTP-IN e os seus sindicatos é terem dado voz ao povo e aos trabalhadores, demonstrando a recusa generalizada sobre o conteúdo profundamente negativo do Pacote Laboral do Governo da República”.
Ainda, o sindicato referiu que “o Chega afirmava, até à Greve Geral de 11 de Dezembro, que aprovaria o Pacote Laboral. Com a dimensão desta enorme acção de luta, inverteu o seu discurso, não por ter mudado a sua convicção, mas por oportunismo, porque isso dificultava os seus esforços e tentativas para ocultar que é, na verdade, a voz dos grandes interesses económicos, e não do povo comum e trabalhador”.
O sindicato enfatiza que diversas declarações do Chega demonstram que o partido “convive mal com a liberdade, com a diferença de opiniões e com o direito à livre expressão. Demonstram que o Chega não é mais do que a voz das associações patronais que representam, apenas, o grande capital. Aquilo que fica claro é o que a CGTP-IN sempre denunciou: que o Chega é, na prática, parceiro político do Governo da República em tudo quanto for recuo civilizacional”.
Por fim, a CGTP-IN/Açores menciona que “o Pacote Laboral, que o Chega demonstrou defender, apesar de tanto se esforçar por mostrar o contrário, traduz um recuo de décadas nas relações laborais, desequilibrando-as ainda mais a favor das grandes empresas e favorecendo o crescimento das desigualdades sociais. Ao afirmar que “precisamos de fazer uma alteração à lei laboral”, demonstra estar comprometido com o crescimento simultâneo da pobreza e das grandes fortunas. Precisamos, sim, de alterações às leis laborais, mas contrárias ao Pacote Laboral do governo da República, das grandes empresas e, também, do Chega. Precisamos de a alterar, mas reequilibrando-a a favor da parte mais fraca na relação laboral: o trabalhador”.