A Comissão de Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) manifestou, em nota de impressa, a sua preocupação com a crescente “instabilidade da operação aérea interilhas nos Açores e com os impactos concretos que esta situação continua a provocar na mobilidade regional e no sector do turismo.”
Segundo a CCIAH, os dados recentemente divulgados revelaram 1.351 cancelamentos de voos interilhas entre Maio de 2025 e Abril de 2026, “além de 3.724 atrasos superiores a 30 minutos e mais de 2,5 milhões de euros em compensações pagas e em processamento”, lê-se na nota.
“A esta realidade soma-se um problema estrutural adicional: a insuficiente disponibilidade de lugares nas ligações interilhas, que frequentemente deixa residentes e visitantes em listas de espera, dificultando o planeamento de deslocações mesmo em períodos de operação regular e agravando ainda mais os constrangimentos quando ocorrem perturbações”, frisou a Câmara do Comércio.
Para a CCIAH esta fragilidade voltou a ser evidente, nos últimos dias, com “turistas e residentes retidos em várias ilhas, enfrentando incerteza, sucessivas alterações de itinerário e constrangimentos significativos.”
Embora saliente que a meteorologia é uma realidade incontornável num arquipélago atlântico como os Açores, para a CCIAH, o que não pode ser encarado como inevitável “é a incapacidade do sistema para absorver melhor esses impactos e limitar os efeitos em cadeia que rapidamente comprometem a operação regional.”
De acordo com a nota a actual concentração operacional excessiva “torna toda a rede particularmente vulnerável quando surgem constrangimentos num único ponto do arquipélago” e os dados divulgados demonstram essa exposição, uma vez que “a ligação Ponta Delgada–Terceira–Ponta Delgada foi a que registou o maior número de cancelamentos no período analisado, com 200 ocorrências, evidenciando como perturbações concentradas num único ponto rapidamente se propagam ao restante sistema.”
Neste contexto, a Comissão de Turismo da CCIAH considera fundamental que sejam avaliadas, com carácter de urgência “soluções concretas de reforço da resiliência operacional, incluindo maior redundância operacional e uma melhor adequação da oferta à procura efectiva nas ligações interilhas.”
“Defendemos, igualmente, uma reavaliação técnica da organização das ligações interilhas, em particular no que respeita à articulação das ligações do Grupo Central, com vista à redução dos tempos de ligação, aumento da eficiência operacional e mitigação dos efeitos em cascata”, frisou a Comissão, que referiu ainda que do ponto de vista turístico, os impactos são claros constatando-se a “desistência de circuitos interilhas, quebra na experiência do visitante, maior dificuldade de planeamento para operadores turísticos e erosão da confiança no destino Açores.”
Para a CCIAH, os Açores competem internacionalmente enquanto destino de excelência e “essa posição exige uma rede de mobilidade interna robusta, previsível, resiliente e com capacidade adequada para responder às necessidades de residentes e visitantes”, e como tal defendem que “investir em resiliência operacional não deve ser visto como um custo adicional, mas como uma medida de racionalidade económica e de protecção da economia regional, especialmente quando os custos da disrupção já atingem montantes desta dimensão.”
A Comissão de Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo apelou ainda “ao Governo Regional dos Açores, à administração da SATA e às entidades competentes para que promovam, com urgência, uma avaliação técnica séria e pragmática das soluções necessárias para proteger a mobilidade dos açorianos, reforçar a robustez da rede aérea interilhas e preservar a competitividade do destino Açores”, finalizou a nota.