O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu, ontem, à sessão de abertura do Conselho da Diáspora Açoriana, sublinhando o papel central das comunidades açorianas espalhadas pelo mundo na construção do presente e do futuro da Região.
Num momento marcado pelo reconhecimento do caminho já percorrido, o governante realçou o significado da criação deste órgão consultivo, lembrando “o que foi possível concretizar em tão pouco tempo com o Conselho da Diáspora Açoriana”, aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Os trabalhos desta reunião centram-se em três dimensões estruturantes: as relações económicas com a diáspora, as ligações culturais que sustentam a identidade açoriana além-fronteiras e o envolvimento das novas gerações na afirmação da Açorianidade.
O líder do executivo açoriano fez questão de destacar a relevância e o prestígio das comunidades açorianas, considerando-as “fantásticas na sua qualidade e no reconhecimento que conquistaram pelo mundo inteiro”. Para o Presidente do Governo, esta realidade confere aos Açores uma capacidade única de ligação global. “Nós somos grandiosos na relação com o mundo, através da nossa diáspora. E ninguém perdeu a ligação à sua identidade”, afirmou.
O governante sublinhou ainda a importância de continuar a alimentar essa ligação, com especial atenção às novas gerações, deixando uma mensagem clara de compromisso colectivo: “Este reconhecimento traz também uma responsabilidade: sermos um elo cativante de adesão às nossas raízes e ao nosso futuro comum”.
José Manuel Bolieiro abordou também a necessidade de evolução das mentalidades, reconhecendo que, ao longo do tempo, os Açores foram frequentemente percepcionados como uma realidade distante e limitada. “Durante muito tempo habituámo-nos a olhar para os Açores como distantes e pobres. Hoje, afirmamos uma visão de grandeza, de potencial e de confiança”, declarou. Sem ignorar os constrangimentos da insularidade e da escala, o líder do executivo açoriano defendeu que esses factores devem ser encarados como oportunidades de afirmação e não como limitações.
O Presidente do Governo anunciou ainda que o executivo está a preparar um Plano Estratégico das Migrações para a próxima década, com uma abordagem integrada que abrange tanto a emigração como a imigração, reforçando a visão dos Açores como uma Região aberta e global.
A sessão ficou igualmente assinalada pelo lançamento de um novo número da revista Açorianidade, uma iniciativa que pretende aprofundar a reflexão sobre a identidade açoriana e reforçar a sua projecção dentro e fora do arquipélago. O governante açoriano deixou palavras de reconhecimento a todos os que têm contribuído para manter viva esta ligação, agradecendo o “desempenho e pelo compromisso que têm demonstrado”. E vincou: “A nossa diáspora é um exemplo de identidade viva e de ligação às raízes”.
José Manuel Bolieiro destacou ainda a posição geoestratégica dos Açores no Atlântico Norte, defendendo que essa centralidade deve ser assumida como um activo diferenciador. “A nossa geografia, tantas vezes vista como limitação, é hoje um factor de afirmação e de oportunidade”, prosseguiu.
