Edit Template

Turismo de bem-estar nos Açores tem potencial, mas ainda exige maior estruturação

Os Açores têm já uma oferta real e diversificada no segmento do turismo de saúde e bem-estar, mas ainda marcada por assimetrias territoriais e por diferentes níveis de maturidade entre operadores.
A conclusão resulta do “Inquérito de Levantamento da Oferta Wellbeing nos Açores”, publicado em maio e realizado pela Direcção Regional de Turismo (DRTu), com o apoio do Observatório de Turismo Sustentável dos Açores (O.T.S.A.), junto de alojamentos, termas, spas, agentes de animação turística, centros de wellness e terapias, terapeutas e professores de actividades de bem-estar. O estudo baseia-se em 239 respostas válidas recolhidas através de questionário online e assume como objectivo apoiar a estruturação e qualificação deste produto turístico na Região.
O levantamento enquadra o Wellbeing como produto complementar ao turismo de natureza, em linha com o Plano Estratégico de Marketing e do Turismo dos Açores (PEMTA) 2030, e sublinha que os recursos naturais do arquipélago, desde as águas termais, cascatas e piscinas naturais até aos trilhos, ao mar e aos ambientes de tranquilidade, constituem activos relevantes para a afirmação deste segmento. O relatório salienta, contudo, que a leitura dos resultados deve ter em conta a estrutura adaptativa do questionário, uma vez que as perguntas variaram consoante o tipo de entidade respondente e a análise foi feita por universos específicos.
São Miguel concentra mais de metade das respostas ao inquérito, com 128 registos, correspondentes a 53,6% da amostra. Seguem-se a Terceira, com 35 respostas (14,6%), o Pico, com 21 (8,8%), o Faial, com 19 (7,9%), e as Flores, com 16 (6,7%). São Jorge e Graciosa surgem com seis respostas cada, equivalentes a 2,5% em ambos os casos, enquanto Santa Maria apresenta três respostas (1,3%). O relatório assinala ainda cinco respostas sem indicação de ilha e nenhuma resposta do Corvo, advertindo que a menor representatividade das ilhas de menor dimensão deve ser considerada na interpretação dos dados e no desenho de políticas territoriais diferenciadas.
A amostra é dominada pelos alojamentos turísticos, com 185 respostas, seguindo-se os agentes de animação turística, com 42. O levantamento identifica ainda 16 spas, três estabelecimentos termais, quatro terapeutas e professores na área da saúde e bem-estar e um centro de wellness e terapias. O próprio relatório nota que o número de spas inclui unidades integradas em estabelecimentos termais e em alojamentos turísticos, pelo que estes valores não devem ser lidos como categorias totalmente estanques.
Nos alojamentos turísticos, a oferta associada ao bem-estar surge sobretudo ligada a infraestruturas de natureza e lazer. Entre os 185 respondentes deste segmento, 96 indicam dispor de jardim, 40 de piscina exterior, 24 de sala ampla para actividades de grupo, como ioga, 22 de jacuzzi, 18 de sauna, 16 de ginásio, 16 de banho turco, 13 de piscina interior e cinco de centro de estética. Ainda assim, 70 alojamentos assinalaram não dispor de nenhuma das opções apresentadas. No mesmo universo, 39 alojamentos afirmam receber grupos organizados para retiros, enquanto 143 dizem não o fazer e três deixaram a resposta em branco. Já a organização directa de actividades ou retiros de bem-estar é declarada por apenas 17 alojamentos, contra 132 respostas negativas e 34 em branco.
Entre os temas associados aos retiros surgem ioga, meditação, silêncio, desenvolvimento pessoal, terapias holísticas, caminhadas na natureza, trilhos, espiritualidade, ecoterapia, artes expressivas, bem-estar integral, golfe e ciclismo. Nos alojamentos que recebem grupos organizados para retiros, a duração mais frequente situa-se entre quatro e sete dias, com 32 respostas, seguida dos retiros de dois a três dias, com 19 respostas, e dos retiros com mais de sete dias, com seis.
As nacionalidades mais referidas nesses grupos são portuguesa, com 20 menções, americana ou estadunidense, com 15, alemã, com sete, espanhola, com cinco, e canadiana, com quatro.
A componente de spa aparece ainda limitada dentro do alojamento turístico. Dos 185 alojamentos inquiridos, 11 indicam possuir spa, 128 respondem negativamente e 43 deixam a resposta em branco.
Entre os 11 alojamentos com spa, nove classificam a unidade como spa de resort ou hotel, um como day spa ou spa urbano e um não especifica a tipologia. As massagens são o serviço mais frequente neste subgrupo, com 10 respostas, seguindo-se os tratamentos faciais, com seis, os tratamentos corporais, com cinco, e as sessões de wellness, como ioga ou pilates, com quatro. Nenhum destes 11 alojamentos com spa indica possuir certificações neste domínio.
No segmento específico dos spas, com 16 respostas, a concentração territorial volta a ser evidente: 12 localizam-se em São Miguel, três na Terceira e um nas Flores. A maioria corresponde a spas de resort ou hotel, com 11 respostas, enquanto três são day spa ou spa urbano e um é spa termal, havendo ainda uma resposta em branco. As infraestruturas mais comuns são piscina, indicada por 12 dos 16 respondentes, banho turco, por 10, sauna, por nove, e jacuzzi ou similares, também por nove. Quanto aos serviços, 15 spas oferecem massagens, 11 tratamentos faciais, 10 tratamentos corporais, seis sessões de wellness, três talassoterapia e três terapias holísticas.
Os três estabelecimentos termais identificados no inquérito localizam-se em São Miguel, com duas respostas, e na Graciosa, com uma. O relatório aponta serviços como baby spa termal, balneoterapia simples, spa capilar termal, peloterapia, massagens de relaxamento, piscinas termais interiores e exteriores, banheiras de hidromassagem, restaurante e bar. Dois destes estabelecimentos dizem ter serviços de spa e os três indicam dispor de vestiários exclusivos para clientes do estabelecimento termal.
Nos agentes de animação turística, o levantamento mostra uma presença ainda incipiente de programas estruturados de bem-estar. Das 42 empresas respondentes, 18 afirmam oferecer experiências de wellbeing associadas aos seus serviços e 24 respondem negativamente. As experiências mais referidas são actividades de conexão com a natureza, com 14 respostas, caminhadas de silêncio, com 10, banhos de floresta, com oito, alimentação saudável, com cinco, termalismo, com três, ioga e meditação ou mindfulness, com duas respostas cada. Apenas duas empresas indicam oferecer programas organizados de wellbeing associados a unidades de alojamento, enquanto 40 dizem não o fazer.
O relatório conclui que o turismo de saúde e bem-estar nos Açores apresenta uma “base real, diversificada e alinhada” com o posicionamento estratégico definido no PEMTA, mas não constitui ainda um produto homogéneo. A oferta é descrita como um ecossistema em construção, suportado por vários agentes, desde terapeutas e centros especializados até alojamentos turísticos e empresas de animação. Para os autores do levantamento, o Wellbeing tem potencial para reforçar a diferenciação do destino, contribuir para mitigar a sazonalidade e estimular uma maior dispersão territorial da procura turística, desde que seja acompanhado, qualificado e progressivamente consolidado no quadro das políticas públicas e das estratégias regionais de turismo.

Edit Template
Notícias Recentes
Director-geral da Autoridade Marítima aponta Açores como ponto-chave nas rotas atlânticas
Santa Clara convoca accionistas para decidir transformação de suprimentos em prestações assessórias de capital
Detido suspeito do crime de posse de arma proibida no concelho da Ribeira Grande
Ordem dos Enfermeiros defende vigilância da gravidez de baixo risco assegurada por enfermeiros especialistas
Lagoa apresenta plano municipal para a infância e assinala Dia Internacional do Brincar com seminário dedicado à aprendizagem
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Diário dos Açores