A greve geral convocada para 3 de junho deverá registar uma forte adesão nos Açores, segundo a CGTP-IN/Açores, que afirma existir um crescente descontentamento dos trabalhadores face às políticas laborais e sociais do Governo da República. A estrutura sindical prevê efeitos em toda a Região Autónoma e em diversos sectores de actividade, à semelhança do que aconteceu na paralisação de 11 de Dezembro.
Em comunicado, a central sindical refere que, nos contactos realizados pelos sindicatos junto dos trabalhadores açorianos, tem sido evidente a “rejeição total” do denominado Pacote Laboral do Governo, acusado de fragilizar os direitos dos trabalhadores e de favorecer as entidades patronais. A CGTP-IN/Açores sustenta que as medidas em discussão representam um agravamento da precariedade, maior desregulação dos horários de trabalho, facilitação dos despedimentos e um ataque à contratação colectiva, ao direito à greve e à actividade sindical.
A estrutura sindical acusa ainda o executivo nacional de promover uma política de retrocesso social, apontando problemas relacionados com salários, habitação, saúde, educação e perda de poder de compra. “Não bastam palavras e discursos: é mesmo preciso mais salário, mais direitos e mais serviços públicos”, sublinha a organização.
Num contexto marcado pelo aumento do custo de vida, a CGTP-IN/Açores considera que os trabalhadores enfrentam baixos salários, horários prolongados e recurso frequente a trabalho extraordinário para compensar a degradação das condições económicas. Entre as principais reivindicações estão o aumento dos salários e pensões, o controlo dos preços de bens e serviços essenciais, o direito à habitação e o reforço dos serviços públicos.
No âmbito da greve, estão previstas concentrações públicas em três ilhas do arquipélago. Em Ponta Delgada, a manifestação terá início às 10h00 junto da Direcção Regional do Emprego. Em Angra do Heroísmo, a concentração decorrerá às 10h30 na Praça Velha, enquanto na Horta o protesto está marcado para o Largo Duque de Ávila e Bolama, também às 10h30.
Grupo SATA ajusta operação para reduzir constrangimentos
Face à previsão de paralisações, o Grupo SATA anunciou um conjunto de medidas destinadas a minimizar os impactos da greve nos passageiros com viagens marcadas para o período em causa.
A SATA Air Açores e a Azores Airlines estão a proceder a ajustamentos preventivos na operação aérea, procurando reduzir cancelamentos de última hora e atrasos significativos. O objectivo, segundo a empresa, é garantir maior previsibilidade e fiabilidade na realização dos voos.
Em simultâneo, o grupo disponibilizou flexibilidade para alteração de reservas sem penalizações ou diferenças tarifárias. Os passageiros poderão reagendar viagens para datas entre 1 e 7 de junho, em voos operados pelas duas companhias, devendo contactar o respectivo agente emissor. O Grupo SATA recomenda ainda que os passageiros privilegiem bagagem de cabine dentro dos limites permitidos, realizem o check-in online e antecipem a chegada ao aeroporto, dirigindo-se directamente à porta de embarque após os procedimentos de controlo.
A transportadora aérea disponibilizou também informação sobre os serviços mínimos previstos durante a greve no portal oficial da companhia, apelando à compreensão dos passageiros perante uma situação que considera totalmente alheia à empresa.
