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Açores lideram subida dos preços das casas e rendas, com São Miguel a atingir 380 mil euros na compra

Os Açores continuam a destacar-se como uma das regiões mais pressionadas do mercado imobiliário português, registando as maiores subidas anuais do país tanto na compra como no arrendamento de habitação. Os dados constam do Barómetro de Maio de 2026 do Imovirtual, que analisa a evolução dos preços médios anunciados em Portugal.
No mercado de compra, o preço médio nacional fixou-se nos 430.500 euros, representando uma subida residual de 0,1% face a abril e de 3,7% em termos homólogos. Já nas ilhas, a valorização anual atingiu os 22,2%, a mais elevada do país, apesar de uma descida mensal de 23,9%, com o preço médio regional a situar-se nos 220 mil euros.
São Miguel continua a assumir um papel central no mercado açoriano, com o valor médio das habitações a atingir os 380 mil euros. Ainda assim, a ilha registou uma ligeira quebra mensal de 0,7% e uma descida homóloga de 2,6%, contrastando com outras zonas do arquipélago. A Ilha Terceira destacou-se pela forte valorização anual, com os preços a subirem 68,6% para uma média de 290 mil euros.
No arrendamento, a pressão mantém-se particularmente elevada nos Açores. A média regional fixou-se nos 1.150 euros mensais, valor que representa uma subida homóloga de 35,3%, novamente a maior do país. Em São Miguel, as rendas mantiveram-se nos 1.200 euros mensais, mas cresceram 50% face ao mesmo período do ano passado, evidenciando o agravamento do acesso à habitação na principal ilha açoriana.
Estes indicadores refletem uma tendência de forte pressão imobiliária em territórios insulares, onde a oferta disponível continua limitada face à procura. Em concelhos como Ponta Delgada, o aumento dos preços da habitação tem vindo a intensificar-se nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento do turismo, pelo investimento imobiliário e pela reduzida disponibilidade de imóveis para arrendamento de longa duração.
A nível nacional, o mercado de arrendamento apresentou sinais de estabilização. O valor médio manteve-se nos 1.300 euros mensais, sem variação face ao mês anterior e com uma descida anual de 3,7%. Lisboa continuou a ser o mercado mais caro do país, apesar de uma redução mensal de 2,9%, com rendas médias de 1.700 euros.
Já no segmento de compra, algumas regiões começaram a evidenciar abrandamento após vários meses de valorização contínua. No Norte, por exemplo, os preços recuaram 2,8% em cadeia, enquanto no Centro o crescimento anual ultrapassou os 16%.
Citada no relatório, Sylvia Bozzo considera que “os dados de maio mostram um mercado cada vez mais fragmentado, onde as dinâmicas variam significativamente consoante a região e o segmento analisado”. A responsável sublinha ainda que os territórios com menor oferta disponível continuam a registar “valorizações muito expressivas”.
Os números agora divulgados confirmam assim que os Açores permanecem entre os mercados imobiliários mais voláteis e pressionados do país, sobretudo em ilhas como São Miguel, onde os preços continuam em níveis historicamente elevados, tanto na compra como no arrendamento.

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