A atividade turística nos Açores voltou a cair em Abril. No conjunto da hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural, a Região registou 344.250 dormidas, menos 12,3% do que no mesmo mês de 2025, segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).
A quebra foi mais acentuada no mercado nacional. As dormidas de residentes em Portugal totalizaram 114.904, uma descida homóloga de 20,4%, representando 33,4% do total. Já os mercados externos, correspondentes aos residentes no estrangeiro, somaram 229.346 dormidas, menos 7,5%, mas continuaram a garantir a maior fatia da procura, com 66,6% das dormidas registadas no mês.
O número de hóspedes também recuou. Em abril, os estabelecimentos de alojamento turístico dos Açores receberam 104.302 hóspedes, menos 12,1% do que no mês homólogo. A estada média situou-se nas 3,30 noites, com uma ligeira diminuição homóloga de 0,2%.
O SREA assinala que, no conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, a variação homóloga mensal das dormidas é negativa desde outubro de 2025.
A evolução de Abril deve, porém, ser lida tendo em conta o efeito calendário da Páscoa. O próprio SREA sublinha que, nas comparações homólogas, há que considerar a estrutura móvel do calendário: em 2026, o período de férias associado à Páscoa decorreu entre o final de março e o início de Abril, enquanto em 2025 se concentrou em Abril. Ainda assim, no país, as dormidas apresentaram em abril uma variação homóloga positiva de 0,6%, em contraste com a descida registada nos Açores.
Por tipo de alojamento, a hotelaria manteve o maior peso e foi também o segmento com a quebra menos expressiva. Em Abril, os hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos e unidades equiparadas registaram 198.051 dormidas, menos 3,1%, concentrando 57,5% do total regional. O alojamento local somou 132.198 dormidas, uma descida de 22,1%, representando 38,4% do total. O turismo no espaço rural registou 14.001 dormidas, menos 23,9%, equivalente a 4,1% do total.
Nos mercados externos, os oito principais países emissores representaram 75,3% das dormidas de residentes no estrangeiro. Os Estados Unidos da América foram o maior mercado, com 40.111 dormidas, equivalentes a 17,5% do subtotal externo, e cresceram 11,5% face a abril de 2025. A Alemanha surgiu em segundo lugar, com 39.942 dormidas, 17,4% do subtotal, e uma subida de 7,3%. Espanha foi o terceiro mercado, com 21.543 dormidas, 9,4% do subtotal, mas registou uma descida homóloga de 37,2%.
Entre janeiro e Abril, o turismo açoriano acumulou 868.655 dormidas, menos 7,7% do que no mesmo período do ano anterior. O mercado nacional totalizou 381.097 dormidas, menos 10,4%, enquanto os mercados externos somaram 487.558, uma redução de 5,5%. No mesmo período, o número de hóspedes foi de 282.893, menos 7,6%, e a estada média fixou-se em 3,07 noites.
A leitura por ilhas, considerando apenas hotelaria e alojamento local, mostra a forte concentração da procura em São Miguel. Estes dois segmentos, que representaram 95,9% das dormidas de Abril, somaram 330.249 dormidas, menos 11,7%. São Miguel concentrou 237.794 dormidas, ou 72,0% do total da hotelaria e alojamento local, seguindo-se a Terceira, com 41.408 dormidas, o Pico, com 17.925, e o Faial, com 17.656.
As únicas ilhas com variação homóloga positiva nestes dois segmentos foram Flores, com mais 11,9%, Faial, com mais 8,0%, e Graciosa, com mais 5,5%. Em sentido contrário, São Jorge caiu 23,1%, São Miguel 13,5%, Pico 12,9%, Terceira 10,2%, Corvo 10,1% e Santa Maria 5,9%.
Na hotelaria, apesar da descida de 3,1% nas dormidas, os proveitos totais cresceram 5,9% em Abril, atingindo 15,9 milhões de euros. Os proveitos de aposento subiram apenas 0,2%, para 11,4 milhões de euros. A taxa líquida de ocupação-cama ficou nos 51,2%, menos 3,4 pontos percentuais, e a taxa líquida de ocupação-quarto atingiu 60,6%, menos 2,4 pontos percentuais. O rendimento médio por quarto disponível foi de 63,66 euros, menos 2,8%, enquanto o rendimento por quarto utilizado subiu 1,1%, para 104,99 euros.
O alojamento local foi o segmento com maior peso depois da hotelaria, mas apresentou uma quebra expressiva. Em abril, registou 132.198 dormidas, menos 22,1%, com uma descida de 32,1% no mercado nacional e de 18,2% nos mercados externos. O número de hóspedes caiu 24,9%, para 33.482, embora a estada média tenha subido 3,7%, para 3,95 noites.
A taxa bruta de ocupação-cama ficou nos 28,9%, menos 5,9 pontos percentuais. No alojamento local, 37,7% dos estabelecimentos activos declararam não ter tido movimento de hóspedes em abril, mais 8,6 pontos percentuais do que no mesmo mês do ano anterior.
O turismo no espaço rural registou igualmente uma quebra acentuada. As 14.001 dormidas de abril correspondem a uma descida homóloga de 23,9%, com o mercado nacional a cair 19,8% e os mercados externos a recuarem 24,7%. O número de hóspedes baixou 25,1%, para 4.229, e a estada média foi de 3,31 noites. Os proveitos totais deste segmento diminuíram 13,3%, para 1,4 milhões de euros, e os proveitos de aposento recuaram 15,5%, para 1,1 milhões de euros.
