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Investigação internacional com participação dos Açores desvenda comportamento de tartarugas marinhas juvenis

Até recentemente, os investigadores enfrentavam grandes dificuldades em realizar estudos de localização por satélite em tartarugas marinhas juvenis, devido ao seu reduzido tamanho corporal e à rápida dispersão destes animais pelo oceano. Esta fase inicial da sua vida permaneceu, por isso, envolta em mistério, sendo frequentemente designada como os “anos perdidos”. Um novo estudo, intitulado “Perspectivas pioneiras sobre o comportamento de mergulho de tartarugas marinhas em fase inicial, reveladas por novas etiquetas de satélite marinhas miniaturizadas”, publicado na revista científica Scientific Reports em Abril de 2026, apresenta a análise mais abrangente realizada até à data sobre o comportamento de mergulho vertical nas fases iniciais de vida das tartarugas-de-couro e das tartarugas-comuns.
Este estudo integra a Iniciativa “Anos Perdidos” da Upwell, um esforço colaborativo internacional dedicado a explorar o potencial das novas tecnologias de miniaturização de marcas satélite e a sua capacidade para desvendar o período dos “anos perdidos” na história de vida das tartarugas marinhas. O Director Executivo da Upwell, George Shillinger, afirma: “Estamos entusiasmados por ver esta colaboração internacional de investigação única produzir resultados que estão a lançar nova luz sobre esta fase enigmática e vulnerável da história de vida das tartarugas marinhas. O nosso objectivo é que estas descobertas possam ser aplicadas em medidas de gestão e conservação que contribuam para a protecção das tartarugas marinhas ao longo de todo o seu ciclo de vida.”
O manuscrito tem como autor principal Tony Candela, oceanógrafo e modelador de ecossistemas marinhos da Upwell, da Mercator Ocean International e do Centre d’Étudeet de Soindes Tortues Marines e doutorando na Universidade de Toulouse, em França. Reflectindo sobre o seu trabalho, afirma: “Sempre aspirei a desempenhar um papel na conservação marinha e procurava formas de aplicar os meus conhecimentos em física oceânica para contribuir nessa área. Este estudo representou a oportunidade ideal para alinhar a minha formação com os meus valores.”
Com base em mais de 2.400 registos diários recolhidos de 71 indivíduos equipados com marcas de satélite miniaturizados em várias bacias oceânicas, as análises revelaram uma clara progressão ontogenética. À medida que aumentam de tamanho, as tartarugas mergulham a maiores profundidades e durante períodos mais prolongados, demonstrando uma utilização progressivamente mais estruturada da coluna de água. Compreender a forma como estas tartarugas marinhas em fase inicial interagem com o ambiente em três dimensões fornece um importante contexto ecológico para as suas estratégias de migração e sobrevivência.
O co-autor do estudo, Frederic Vandeperre, investigador do Instituto de Ciências Marinhas IICM Okeanos da Universidade dos Açores e coordenador do COSTA, projecto que tem como missão assegurar a conservação das tartarugas marinhas nos Açores e do seu habitat oceânico no Atlântico Norte, dedica-se há vários anos ao estudo dos “anos perdidos” das tartarugas marinhas e destaca o carácter inovador desta investigação: “A miniaturização das marcas de satélite está a abrir possibilidades totalmente novas para a investigação marinha. Pela primeira vez, somos capazes de observar o comportamento das tartarugas marinhas juvenis com um nível de detalhe notável e começar a responder a questões antigas sobre a sua ecologia e os seus movimentos em mar aberto.”
Os resultados deste estudo poderão contribuir para melhorar a capacidade de prever os movimentos das tartarugas marinhas juvenis em mar aberto e identificar potenciais sobreposições com ameaças de origem humana. Este conhecimento sobre os padrões de mergulho fornece uma base importante para acções de conservação, nomeadamente através do ajuste da profundidade de implantação das artes de pesca e da concepção de áreas marinhas protegidas que reflictam a utilização vertical do habitat por estas espécies.
Este manuscrito foi produzido por uma colaboração entre 17 instituições de sete países diferentes, entre as quais a IICM Okeanos da Universidade dos Açores.

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